Novo livro sobre Watergate diz que John Dean ordenou espionagem

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - Um novo livro sobre o escândalo responsável por derrubar o presidente Richard Nixon acusa o então conselheiro da Casa Branca John Dean de ter ordenado a operação de espionagem ilegal em 1972 conhecida como Watergate, algo que Dean contestou de forma veemente.

Reuters |

James Rosen, correspondente da Fox News em Washington, disse que a acusação baseava-se em entrevistas e em uma exaustiva reavaliação de documentos com vistas a escrever o livro 'The Strong Man: John Mitchell and the Secrets of Watergate' (O Homem Forte: John Mitchell e os Segredos do Watergate).

O livro, uma biografia do procurador-geral de Nixon, John Mitchell, uma figura importante do caso, está sendo lançado nesta semana.

'Espero que esse livro esteja sendo vendido como ficção.

Porque se esse não for o caso, então os leitores estão sendo enganados', afirmou Dean, que se tornou uma testemunha importante da acusação e que confessou ter cometido o crime de obstrução da Justiça em meio ao caso.

O escândalo do Watergate começou com a invasão do comitê de campanha do Partido Democrata no Watergate Hotel, em Washington, no dia 17 de junho de 1972.

O objetivo da operação era grampear os telefones dos democratas.

Inicialmente negado pela Casa Branca, o escândalo cresceu devagar e não afetou o resultado das eleições presidenciais daquele ano, vencidas com facilidade por Nixon (que na disputa com o senador democrata George McGovern conquistou um segundo mandato presidencial)

No entanto, em 1974, investigadores conseguiram conectar o Watergate e outros vários escândalos políticos ao governo norte-americano, e Nixon viu-se obrigado a renunciar, no dia 9 de agosto de 1974.

Dean ficou famoso por ter dito ao então presidente, em uma conversa mantida pelos dois no Salão Oval e que foi gravada, que o Watergate era 'um câncer perto da Presidência, que está crescendo'.

Rosen atribuiu a outra figura do escândalo, Jeb Magruder, a declaração de que 'o primeiro plano que recebemos foi iniciado por Dean'.

Dean afirmou à Reuters: 'As conclusões dele são patéticas.

Rosen simplesmente ignorou os testemunhos juramentados que diziam o contrário, entre os quais o meu testemunho'.

O escritor disse que Dean sempre negou ter ordenado a invasão do comitê democrata.

Outros livros e estudos sobre o Watergate apontaram Mitchell como o responsável por dar a ordem para a operação.

Mitchell cumpriu uma pena de 19 meses de prisão devido a sua participação no Watergate.

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