Novo líder da Al-Qaeda elogia manifestantes da Síria em vídeo

Na primeira gravação desde que sucedeu a Bin Laden na rede terrorista, Zawahiri chama presidente sírio de 'traidor'

iG São Paulo |

O novo líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri , elogiou os manifestantes sírios em um vídeo postado na internet nesta semana, o primeiro no qual aparece desde sua nomeação como chefe da organização terrorista , em junho, depois da morte de Osama bin Laden , em 2 de maio.

No vídeo, com cerca de sete minutos de duração e divulgado por sites islamitas, Zawahiri dirige uma mensagem aos manifestantes que exigem a queda do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad. "Dê uma lição ao opressor e ao traidor (Assad), lições de resistência à sua injustiça, corrupção e traição", diz o líder da Al-Qaeda.

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Foto mostra o novo líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em reprodução de vídeo postado no site do as-Sahab, braço de mídia da rede terrorista
Além disso, acrescentou: "Apresente um exemplo e dê à vossa nação árabe e muçulmana lições no sacrifício, na persistência e na luta contra a injustiça". No vídeo, Zawahiri, que fala com um tom tranquilo, descreve Assad como "parceiro da América na guerra contra os muçulmanos".

Ele lança faz uma crítica contra Estados Unidos e Israel, advertindo contra os planos de Washington de estabelecer na Síria um novo regime que proteja seus interesses. "A América, que colaborou com Assad durante todo seu mandato, alega atualmente que está com vocês (os manifestantes sírios) após ver que o terreno se movimenta pelo seu terremoto de ira e depois que foi vencido na Tunísia e no Egito ao perder dois de seus maiores agentes", disse o líder terrorista.

"Washington tenta hoje estabelecer, no lugar de Assad, que protegeu as fronteiras da entidade sionista, outro regime que desperdice sua revolução e sua Jihad (Guerra Santa)", afirmou.

Zawahiri, um médico egípcio que era o "número dois" da Al-Qaeda, tornou-se em junho o líder dessa organização terrorista para suceder Bin Laden, morto em uma operação militar dos EUA na cidade paquistanesa de Abbottabad .

Al-Qaeda em colapso

Na quarta-feira, o jornal americano The Washington Post afirmou que Washington acredita que a morte de Bin Landen e os sete anos de ataques com aviões não-tripulados da CIA (Agência Internacional dos EUA) deixaram a organização terrorista à beira do colapso.

O diário, que cita altos funcionários da luta antiterrorista, afirma que as agências americanas registraram uma diminuição dos ataques, "um resultado que foi visto como uma possibilidade remota durante grande parte da última década".

A morte de Bin Laden foi um "ponto de inflexão", segundo as autoridades, em parte porque ele se manteve ativo na gestão da rede, dando ênfase em ataques contra os EUA, e por seu "carisma", que foi primordial para que a Al-Qaeda proliferasse com células no exterior.

Nesse sentido, advertem que a Al-Qaeda ainda pode ressurgir, afirmando que seu desaparecimento não poria fim à ameaça terrorista, já que alguns grupos filiados, como o braço da Al-Qaeda no Iêmen, são identificados pelos EUA como um das novas ameaças a ser levadas em consideração.

Em grande parte por causa da morte de Bin Laden, "podemos ver o final da Al-Qaeda como a jihad unida, global e sem fronteiras, o que não quer dizer que seja o fim dos terroristas e dos ataques dirigidos aos americanos", disse uma das autoridades, em condição de anonimato.

Segundo dados da New America Foundation, os ataques de aviões não-tripulados na fronteira entre Paquistão e Afeganistão mataram 1,2 mil militantes desde 2004, incluindo 224 neste ano.

*Com EFE e AFP

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