Novo homem no Kremlin segue estilo diferente de Putin

Por David Schlesinger e Michael Stott MOSCOU (Reuters) - O presidente russo, Dmitry Medvedev, minimizou as diferenças de seu modo de agir em relação ao de seu antecessor, Vladimir Putin, durante entrevista à Reuters, mas é evidente o contraste de tom e estilo entre os dois homens.

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Há muito tempo aliado de Putin, Medvedev se apresentou durante a campanha eleitoral deste ano para a Presidência como um político que daria continuidade ao governo de Putin e repetiu esse mantra durante a entrevista, dizendo que a essência das políticas de Putin não será mudada.

'Os políticos também são pessoas e eles devem ter um tom próprio e um estilo próprio', disse Meedvedev. 'Mas isso não muda as doutrinas básicas da política do governo.'

Isto posto, o novo presidente transmitiu a mensagem de Moscou em palavras muito diferentes das de seu antecessor.

Durante a longa conversa de uma hora e meia não houve nenhum dos duros ataques contra o Ocidente que se tornaram uma marca de Putin em seus últimos anos como presidente.

Em vez disso, ao escolher suas palavras cuidadosamente, o novo homem no Kremlin enfatizou liberdade, a lei e a propriedade privada.

Analistas e diplomatas em Moscou estão divididos sobre Medvedev, um advogado por formação que conheceu Putin quando os dois trabalharam juntos no gabinete do prefeito de São Petersburgo. Putin o indicou em dezembro como sucessor.

Alguns, incluindo embaixadores de países do Ocidente, vêem Medvedev como uma escolha intencional de alguém mais liberal, prenunciando uma nova fase do plano de longo prazo de Putin para a Rússia, que terá ênfase na liberdade, propriedade privada e investimento estrangeiro.

Outros, incluindo falcões da era da Guerra Fria, tendem a vê-lo com suspeita, como alguém do sistema moldado por seus anos no Kremlin que acabará sendo pouco mais do que uma marionete de Putin.

As declarações de Medvedev à Reuters, em sua primeira entrevista a um órgão de imprensa ocidental desde que assumiu o poder em maio, pareceram mais propensas a ter mais a ver com o primeiro grupo de analistas do que com os falcões.

Enquanto Putin atacava furiosamente os planos de expansão da Otan para perto das fronteiras da Rússia, acusava Washington de iniciar uma nova corrida armamentista com seu plano de escudo antimísseis e de cortar ligações de transporte com a vizinha Geórgia, que integrou a União Soviética, Medvedev não mencionou nenhuma dessas questões.

A essência da política externa da Rússia, disse ele, será a defesa do interesse nacional, mas ela será guiada pela 'liberdade, democracia e o direito à propriedade privada'.

Ao ser indagado sobre as críticas da política externa russa, Medvedev evitou as acusações de Putin contra a hipocrisia e do duplo padrão do Ocidente.

Reclamações eram algo normal -- disse ele -- afinal, Moscou também teve problemas com outras nações.

Quando a Reuters lhe perguntou sobre as ameaças à Rússia, ele listou problemas comuns a vários países e citou pobreza e corrupção como problemas específicos da Rússia.

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