Novo Governo tailandês assume funções em meio à divisão política

Bangcoc, 22 dez (EFE) - O novo Governo da Tailândia assumiu hoje oficialmente suas funções envolvido em uma persistente divisão política que atrapalha a reconciliação promovida pelo recém-nomeado primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva.

EFE |

Vejjajiva e os 35 ministros e vice-ministros tomaram posse dos cargos durante a audiência concedida pelo rei Bhumibol Adulyadej, depois que, no sábado, esse aprovou a nomeação do novo chefe do Executivo, o quarto em um ano.

A cerimônia ocorreu no palácio que o monarca possui em Hua Hin, uma localidade turística situada cerca de 200 quilômetros de Bangcoc, a capital tailandesa.

Em um breve discurso, o primeiro-ministro pediu ao novo Gabinete que dê prioridade aos esforços para pôr fim à crise política na qual o país está imerso desde que em maio tiveram início os protestos contra o Governo do ex-primeiro-ministro Samak Sundaravej e de seu imediato sucessor, Somchai Wongsawat.

Ambos foram desabilitados de seu cargo pelo Tribunal Constitucional por violar a Carta Magna, enquanto o Partido do Poder do Povo (PPP) que lideraram foi dissolvido após ficar comprovada uma fraude eleitoral cometida nas eleições realizadas em dezembro do ano passado.

"Se vocês trabalham bem, haverá uma ordem que será uma bênção para o país, que precisa de cuidado", disse o rei Bhumibol em uma referência indireta à instabilidade política.

Durante o discurso, transmitido pela televisão estatal, o monarca, de 81 anos, também pediu a colaboração do resto dos políticos e da sociedade tailandesa para superar a atual crise.

Antes deste ato oficial, claramente protocolar, o novo primeiro-ministro reiterou que seus dois principais objetivos serão pôr fim à tensão política e revitalizar a economia do país.

Para este fim, ele escolheu Korn Chatikavanij, um ex-executivo do banco de investimentos JP Morgan Chase formado na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

No entanto, as nomeações de Chatikavanij e de outros ministros foram mal recebidas por um amplo setor da sociedade tailandesa e pela imprensa, que questionou a promessa feita pelo primeiro-ministro de formar um Governo de reconciliação.

Entre os 36 membros que integram o novo Gabinete figuram 24 políticos que pela primera vez desempenham cargos no Governo, incluído Vejjajiva, de 44 anos e que até sua eleição comandou as fileiras da oposição parlamentar.

Líder do Partido Democrata, Vejjajiva foi eleito primeiro-ministro em 15 de dezembro durante uma sessão plenária na qual ficou evidente a luta pelo poder travada pelos políticos seguidores e os detratores do ex-chefe de Governo Thaksin Shinawatra, deposto em 2006 por meio um golpe de Estado organizado por militares.

Os partidários de Shinawatra, condenado a dois anos de prisão por abuso de poder, ameaçaram realizar manifestações contra o Governo, a partir do próximo sábado, um dia antes que o primeiro-ministro apresente no Parlamento as linhas gerais da política que desenvolverá.

A nomeação de Vejjajiva significou o retorno do Partido Democrata ao poder, após permanecer oito anos na oposição, e acalmou os seguidores da Aliança do Povo para a Democracia, que, em novembro, bloquearam os dois aeroportos de Bangcoc para exigir a queda do Executivo anterior.

Um dos membros do Governo de Vejjajiva mais criticados pelos detratores foi o ministro de Assuntos Exteriores, Kasit Piromya.

Piromya defendeu, em várias ocasiões, as ações dos seguidores do PPP, incluindo a ocupação dos terminais dos aeroportos que afetou cerca de 350 mil passageiros, e prejudicou seriamente o turismo, um dos principais motores da economia tailandesa.EFE tai/ab/db

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