Novo Governo japonês enfrenta suas promessas na realidade

Jairo Mejía Tóquio, 16 set (EFE).- O novo Governo do Japão enfrenta no âmbito econômico as maiores dificuldades, já que pretende mudar o rumo de uma locomotiva exportadora que empurrou a segunda economia de mundo durante mais de 50 anos.

EFE |

Yukio Hatoyama e a equipe econômica do Partido Democrático (PD) terão que explicar como vão baixar impostos, aumentar subsídios e baratear serviços sem afundar na crise japonesa, na situação econômica atual e numa dívida pública que ronda 180% do Produto Interno Bruto (PIB).

A Bolsa de Tóquio recebeu hoje a eleição do novo primeiro-ministro com uma leve alta, embora com quedas entre os valores de setor financeiro e as obras públicas, que poderiam ver-se afetadas por normas mais estritas e uma redução do gasto público.

A primeira promessa que os analistas acham que Hatoyama romperá será o compromisso pré-eleitoral de não emitir mais dívida pública ou bônus do Estado para financiar seus programas sociais e ajudas às famílias.

Os cálculos do PD passam por reduzir as despesas inúteis vinculadas à gigantesca estrutura burocrática do Estado japonês e repensar o orçamento aprovado pela anterior Administração.

Com isso, pretende financiar as ajudas ao cuidado das crianças, fazer gratuita a educação secundária, aumentar o salário mínimo e dar mais ajudas ao desemprego.

O PD quer deter a execução de parte do orçamento para obter 7,1 trilhões de ienes (US$78,6 bilhões ou 53,967 bilhões de euros) que lhe permitam financiar suas promessas, mas encontrou problemas como verbas já foram executadas.

Outro dos pontos do famoso "Manifesto de Minshuto", como se conhece o programa eleitoral do Partido Democrático, é não aumentar o imposto sobre o consumo, atualmente em 5% (na Espanha é de 16%).

No entanto, a receita do Estado segue em contração e o PD deve reduzir outros impostos como o que taxa a gasolina ou algumas despesas em educação, assim como fazer gratuita a complexa e cara rede de estradas japonesa.

O ministro das Finanças anterior, Kaoru Yosano, advertiu que para cumprir suas promessas o PD necessitaria aumentar os impostos de consumo em até 25%.

Outra de suas promessas é reduzir em 20% as despesas na Função Pública antes do fim do ano fiscal de 2013, para o qual antecipou que baixará os salários dos funcionários e recortará empregos.

Durante a campanha, o PD fez eco das queixas dos cidadãos que acham que os 575 mil empregados públicos são tratados muito melhor que os trabalhadores do setor privado.

Com isso, o PD espera economizar 1,1 trilhões de ienes (US$12,18 bilhões ou 8,253 bilhões de euros) anuais em salários pagos aos funcionários.

Além disso, o novo Governo pretende aumentar o salário mínimo e acabar com a temporalidade no emprego, um tipo de contratação à qual cada vez recorrem mais as empresas japonesas afetadas pela crise.

Em um país onde os empregos vitalícios eram considerados a base da sociedade e da família, o maior índice de desemprego do pós-guerra e uma temporalidade que afeta um terço da população ativa será outro dos cavalos de batalha de Hatoyama.

Outro dos problemas aos que enfrenta o PD de Hatoyama é um iene cada vez mais forte frente a um dólar que perde peso, o que provoca grandes perdas entre os exportadores japoneses à hora de repatriar seus lucros desde o estrangeiro.

O novo ministro das Finanças, Hirohisa Fujii, um veterano de idéias conservadoras sobre a economia que foi ministro durante os 11 meses que não governou o Partido Liberal-Democrata entre 1993 e 1994, disse hoje que não intervirá nos mercados de divisas para desvalorizar o iene, já que a situação não é grave.

O PD acredita que um aumento do valor do iene não prejudicará o Japão durante muito tempo, já que o objetivo é que a segunda economia mundial se baseie em um modelo dependente da demanda interna e não tanto nas exportações. EFE jmr/fk

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