Novo Governo espanhol toma posse tendo economia como desafio imediato

María Luisa González Madri, 14 abr (EFE).- O novo Governo espanhol, liderado pela segunda vez pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero, tomou hoje posse com o desafio imediato de enfrentar a desaceleração econômica sem descuidar das medidas sociais.

EFE |

O dia da posse teve uma protagonista indiscutível: a ministra da Defesa, Carme Chacón, de 37 anos em seu sétimo mês de gravidez, que atraiu todos os olhares ao se tornar a primeira mulher na história da Espanha a assumir essa pasta e que passou em revista as tropas.

"Capitão, comande com firmeza. Digam comigo: Viva Espanha e Viva o Rei", foram suas primeiras palavras como ministra da Defesa no ato de posse do cargo.

Na designação dos membros de seu gabinete, Rodríguez Zapatero pôs em prática um de seus compromissos eleitorais, que é conseguir a igualdade plena homem-mulher no atual governo. O novo Executivo é formado por nove mulheres e oito homens.

O líder socialista conservou o núcleo central do Executivo anterior, mantendo em seus postos os dois vice-presidentes, María Teresa Fernández de la Vega e Pedro Solbes, este último também ministro da Economia e da Fazenda, além dos ministros de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, e do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.

Após formalizar a posse, o novo Governo celebrou seu primeiro Conselho de Ministros, focando na aprovação das mudanças estruturais introduzidas com a criação de dois novos ministérios, o da Igualdade e o de Ciência e Inovação, além da transferência de algumas funções entre as diferentes pastas.

Agora, o Governo tem pela frente como tarefa urgente enfrentar as repercussões da crise financeira internacional e a alta dos preços do petróleo e de alguns alimentos básicos para a economia espanhola.

Zapatero disse que para isso empreenderá medidas urgentes, dirigidas a atenuar sobretudo a crise no setor da construção, e outras a mais longo prazo.

Na próxima sexta-feira o Executivo aprovará um "pacote" de 10 bilhões de euros (US$ 15,9 bilhões) para abrandar os efeitos negativos na economia espanhola, segundo antecipou no domingo em Washington, Pedro Solbes.

Nesse "pacote" está incluída a diminuição de 400 euros na carga tributária prometida aos contribuintes, além de medidas de ajuda aos empresários.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou sua previsão de crescimento para a Espanha para este ano até 1,8%. Recentemente, o Banco da Espanha havia fixado o crescimento em 2,4%.

A desaceleração da Economia na Espanha é notada no setor da construção, um de seus principais motores nos últimos anos, onde é temida uma possível recessão com fortes perdas de empregos.

Este setor gera trabalho para um grande número de imigrantes.

O novo ministro do Trabalho e Imigração, Celestino Corbacho, afirmou que o país está entrando "em uma fase na qual a construção é um setor destruidor de empregos, mas os setores de serviços aumentam a geração de postos de trabalho".

Defendeu que a presença de imigrantes esteja firmada em um contrato de trabalho e que seja facilitado o retorno ao país de origem daqueles que não conseguem encontrar um emprego na Espanha.

O recém nomeado ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Miguel Sebastián, próximo a Zapatero, sustentou hoje em sua posse que "o momento econômico não é o melhor dos últimos anos, mas também não é, nem vai a ser, muito mau", e afirmou que trabalhará para "fortalecer" a indústria interna e sua projeção internacional.

Apesar da desaceleração econômica, Zapatero se comprometeu a manter as políticas sociais, a subir o salário mínimo e as pensões mais baixas e a desenvolver leis como, a já aprovada, de ajudas às pessoas dependentes.

Outro dos importantes assuntos que o Governo deverá enfrentar é a continuação da possível ameaça da organização terrorista ETA, que após uma trégua fracassada retomou a violência com atentados com carro-bomba e assassinatos, o último contra um ex-vereador socialista, Elías Carrasco, no País Basco, dois dias antes das eleições de 9 de março. EFE mlg/bf/fb (Com fotografia)

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