Novo governo do Japão tem ex-modelo, mas poucas caras novas

Naoto Kan toma posse com promessa de sanear finanças e manter aliança com os EUA

iG São Paulo |

AFP
A senadora Renho, ex-apresentadora de TV e ex-modelo de ascendência taiuanesa, é uma das novidades do governo Kan
O novo governo japonês anunciado nesta terça-feira pelo primeiro-ministro, Naoto Kan, tem uma média de idade de 59 anos e inclui duas ministras (entre elas uma ex-modelo e ex-apresentadora) e só seis caras novas em relação ao governo que está de saída.

As ministras são a responsável de Justiça, Keiko Chiba, uma detratora da pena capital que segue em seu posto, e uma nova incorporação à frente da Reforma Administrativa: a senadora Renho, ex-apresentadora de TV e ex-modelo de ascendência taiuanesa que deve ser a sensação do novo Executivo.

O novo governo, que foi empossado nesta terça-feira pelo Imperador Akihito, está integrado por 17 ministros e secretários de Estado, 11 dos quais conservam a pasta que tinham no gabinete anterior. Os titulares dos principais ministérios foram confirmados nesses postos: Katsuya Okada nas Relações Exteriores, Toshimi Kitazawa na Defesa e Seiji Maehara nos Transportes.

O ministério-chave das Finanças, que Kan dirigia no governo anterior, foi confiando a seu ex-adjunto, Yoshihiko Noda, de 52 anos, partidário do rigor orçamentário. Sua tarefa consistirá em revitalizar a economia e reduzir simultaneamente a enorme dívida pública que é quase o dobro do PIB. Não se exclui um aumento do imposto ao consumidor, atualmente em 5%.

Foco na economia

O novo primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, prometeu nesta terça-feira transformar o Japão num país mais vigoroso, restaurar as finanças públicas e conservar a aliança com os Estados Unidos como pedra angular de sua diplomacia.

O novo premiê de 63 anos, que se cercou de um governo de centro-esquerda, é o quinto chefe de governo que assume o cargo em quatro anos. Ele tem o apoio de mais de 60% da opinião pública, disposta a dar uma segunda chance ao Partido Democrata do Japão (PDJ), apesar da desastrosa expêriencia do governo de Yukio Hatoyama. Hatoyama, eleito em meados do ano passado frente aos conservadores, no poder há mais de 50 anos, não cumpriu com suas promessas, e em oito meses e meio acabou com a esperança que os japoneses tinham quanto a ele.

"Creio que é necessário continuar firmemente com o princípio de que a aliança de segurança Japão-Estados Unidos é a pedra angular da diplomacia japonesa", afirmou Kan, depois de conversar por telefone no fim de semana com o presidente Barack Obama.

Em seu primeiro discurso depois do anúncio de seu gabinete, Kan disse que a bolha econômica japonesa explodiu há 20 anos e que o país deve lamentar cerca de 30.000 suicídios anuais. "Quero reabilitar o Japão drasticamente e criar um país vigoroso", enfatizou. Num momento em que a dívida pública se aproxima do dobro do PIB, Kan destacou que "reconstruir a saúde financeira é fundamental para a economia japonesa".

AP
Naoto Kan, novo primeiro-ministro do Japão, anuncia diretrizes de seu governo

Diplomacia

No nível diplomático, Kan deverá reconciliar-se com os Estados Unidos, o principal aliado do Japão, depois do fracasso da mudança da base militar da ilha de Okinawa. O governo anterior prometeu retirar uma base aérea americana dessa ilha, mas Washington insistiu que Tóquio respeitasse um acordo sobre sua manutenção assinado em 2006 entre os dois aliados.

Um assessor do presidente americano Barack Obama disse que confia que as relações com Kan serão melhores do que com seu predecessor. "Tenho todos os motivos para pensar que Kan retomará (o diálogo) no ponto em que o deixamos e que não voltaremos a viver os momentos difíceis que atravessamos em setembro e outubro", declarou Jeff Bader, encarregado pela Ásia no Conselho de Segurança Nacional.

O novo primeiro-ministro declarou que aplicará todas as decisões adotadas pelo governo anterior nessa questão.

Naoto Kan, um ex-militante de esquerda, procedente de uma família modesta, contrariamente aos "herdeiros" das dinastias políticas que o precederam, sabe que o apoio da opinião pública pode desaparecer rapidamente se não der sinais de uma verdadeira mudança.

O primeiro teste para o governo e o PDJ, majoritário, terá lugar durante as eleições para o Senado, em julho próximo.

* Com AFP e EFE

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