Novo Governo de Taiwan toma posse nesta terça-feira

Francisco Luis Pérez - Taiwan vive nesta segunda-feira o último dia de Governo do independentista Chen Shui-bian e prepara-se para a volta ao poder do Partido Kuomintang (KMT), que regeu os destinos da ilha, de forma autoritária, de 1945 a 1991, e em transição democrática até 2000.

EFE |

A posse, amanhã, do presidente eleito, Ma Ying-jeou, do KMT, despertou grandes esperanças de melhoras nos laços com a China, o afastamento do perigo de um conflito militar no estreito de Formosa e uma maior integração econômica da ilha com o grande gigante econômico chinês.

Analistas e acadêmicos dão avaliações contraditórias dos Governos de Chen Shui-bian, do independentista Partido Democrata Progressista (PDP), nos quais todos estão de acordo em que se reforçou muito a consciência da especificidade taiuanesa perante a China.

O PDP governou com minoria parlamentar em duas legislaturas (2000-2008), teve seis primeiros-ministros em oito anos e adotou uma política de restringir ao máximo os laços econômicos com a China e de não evitar a colisão política com Pequim.

"Taiwan não alcançou todo o crescimento econômico que podia devido à política governamental restringindo os laços com a China", disse o professor do Instituto de Desenvolvimento Nacional da Universidade de Taiwan Tu Jenn-hwa.

A convocação de referendos sobre a ameaça bélica da China, em 2004, e sobre o ingresso na ONU sob o nome de Taiwan, em 2008, levaram os laços entre Taipé e Pequim a seu ponto mais conflituoso desde que o ex-presidente taiuanês Lee Teng-hui declarou em 1999 sua doutrina que China e Taiwan são como dois Estados separados.

"O enfoque precipitado e de confronto do presidente Chen Shui-bian foi uma das causas da deterioração dos laços com a China", disse o pesquisador da Universidade Chengchi Wu Tung-yeh.

Outros louvam o Governo do PDP por ter desmontado o sistema autoritário do KMT, ter conseguido a profissionalização e institucionalização das forças armadas e ter deixado claro perante o mundo que "Taiwan é um país soberano".

"Quando o PDP solicitou a entrada na ONU sob o nome de Taiwan fez-se história e se deixou claro que a ilha não pertence nem quer pertencer à China", disse o presidente da Fundação Novo Século, Chen Lung-chu, embora reconheça que a ação teve efeitos negativos nos laços com Washington.

Os escândalos e o fiasco no uso da ajuda econômica para conseguir os laços diplomáticos com Papua Nova Guiné prejudicaram seriamente a imagem de limpeza de Chen Shui-bian e do PDP, embora ainda não haja provas de que o presidente ou sua esposa tenham embolsado fundos públicos.

O PDP foi castigado pelo eleitorado nas eleições parlamentares do dia 17 de janeiro e nas presidenciais de 22 de março, e agora só controla oito Governos municipais no sul da ilha e 27 das 113 cadeiras no Parlamento.

Taiwan se separou unilateralmente da China em 1949, depois que o KMT perdeu a guerra civil contra os comunistas de Mao Tsé-tung, e embora nunca tenha declarado seu status de independência de forma oficial, ambos os territórios mantêm uma luta diplomática na qual Pequim isolou Taiwan, com apenas 20 países que na atualidade reconhecem sua soberania.

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