Novo governo de Israel deve evitar confronto com EUA, dizem analistas

A influência do governo do democrata Barack Obama nos Estados Unidos deve garantir que o futuro governo de Israel permaneça no centro, apesar da esperada vitória da direita nas eleições parlamentares do próximo dia 10, afirmam analistas. Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o novo governo israelense evitará um confronto com Washington, depois de Obama ter publicamente prometido trabalhar pela paz entre Israel e palestinos.

BBC Brasil |

Pesquisas de opinião indicam vantagem clara da direita nas eleições gerais, o que pode dar ao líder do Likud e ex-primeiro-ministro Binyamin Netanyahu novamente o posto de premiê.

Na opinião de especialistas, apesar da vantagem que deverá ter no Parlamento, Netanyahu evitará formar uma coalizão que inclua apenas a direita israelense. O objetivo seria evitar confrontos diretos com o governo de Obama, que já anunciou que pressionará pelo avanço da paz no Oriente Médio.

"Netanyahu não vai querer uma coalizão de partidos de direita e extrema-direita e deverá preferir uma coalizão de centro e direita, com o partido Kadima ou o Partido Trabalhista, justamente para minimizar possíveis choques com o novo presidente americano", disse à BBC Brasil o professor de Ciências Políticas da Universidade Bar Ilan, Jonathan Rynhold, especialista nas relações entre Israel e os Estados Unidos.

"Ele estará disposto a fazer muitos esforços para evitar que os partidos de extrema-direita tenham poder de veto à política externa do governo de Israel", afirmou.

Já em seus primeiros dias na Casa Branca, Obama enviou mensagens claras de que pretende agir "agressivamente" pelo avanço do processo de paz entre israelenses e palestinos. A nomeação do enviado especial para o Oriente Médio, George Mitchell, é interpretada como uma dessas mensagens.

Em 2001, quando trabalhou para o governo do então presidente Bill Clinton - democrata como Obama - Mitchell produziu um relatório que associava o crescimento da violência de grupos palestinos à expansão dos assentamentos nos territórios ocupados.

Especialistas acreditam que, ao nomear Mitchell para o cargo, Obama pretende mostrar que pressionará Israel por um congelamento da construção de assentamentos na Cisjordânia.

Para Rynhold, outro tema de grande potencial explosivo nas relações entre Israel e os Estados Unidos será a questão iraniana.

"Se Israel resolver atacar o Irã sem a aprovação americana, poderá haver uma crise grave entre os dois governos", disse. "A questão dos assentamentos na Cisjordânia também poderá gerar uma tensão continua", afirmou Rynhold.

Mas analistas acreditam que o impacto entre os eleitores israelenses do fator Obama deva ser quase nulo.

"O mais importante para os eleitores nesse momento é qual candidato poderá lidar melhor com os problemas da segurança, depois da guerra de Gaza", disse Rynhold.

"As pesquisas demonstram que a tensão que houve entre Netanyahu e Clinton durante seu primeiro governo não deverá impedir sua reeleição", afirma o especialista.

Para o analista político do jornal Haaretz
, Akiva Eldar, o eleitor israelense está ignorando as mensagens de Obama.

"As pesquisas indicam que os partidos de direita, que não têm interesse no processo de paz, estão ganhando força. A guerra em Gaza apagou todas as outras considerações e as vozes da guerra se tornaram mais fortes do que as vozes da paz", disse.

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