Novo filme de Indiana Jones é recebido com pouco entusiasmo em Cannes

Alicia García de Francisco Cannes (França), 18 mai (EFE) - Após meses de segredo, o quarto filme de Indiana Jones foi exibido hoje pela primeira vez em Cannes e o resultado foi recebido com pouco entusiasmo, mas com certeza agradará a seus fãs, por se tratar principalmente de uma homenagem ao personagem e às aventuras anteriores. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, lançado 19 anos após Indiana Jones e a Última Cruzada, tem todos os elementos da saga: um tesouro a ser encontrado (a caveira de cristal), viagens, perseguições, humor, uma vilã (Cate Blanchett), o chicote e o chapéu. Há também outros componentes comuns, como um animal (formigas carnívoras) e inclusive um reencontro com um amor perdido (Karen Allen). Apesar disso, a quarta aventura de Indiana Jones traz poucas inovações. As maiores novidades são o personagem interpretado por Shia LaBeouf e uma surpresa no final do filme. No meio, muitas referências às sagas anteriores. Em um breve momento aparece a famosa Arca da Aliança, há as conhecidas perseguições dos indianos (como em Indiana Jones e o Templo da Perdição) e um clímax no final muito parecido com o instante no qual se abre a arca do primeiro filme.

EFE |

Além disso, o diretor, Steven Spielberg, e o produtor, George Lucas, quiseram desde o começo manter as imagens das aventuras anteriores e, para isso, optaram por não usar técnicas digitais e limitar ao máximo o uso de efeitos especiais digitalizados.

O objetivo era "torná-lo mágico habilmente, e não mágico digitalmente", disse Lucas na entrevista coletiva.

A ação se dá em 1957 e começa em um deserto do sudoeste dos Estados Unidos, em plena Guerra Fria. Indiana (Harrison Ford) e seu amigo Mac (Ray Winstone) escapam de um grupo de agentes soviéticos, liderados pela cruel Irina Spalko (Blanchett), que busca uma misteriosa relíquia: a Caveira de Cristal de Akator.

De volta para casa, o arqueólogo conhece um jovem rebelde, Mutt (Shia LaBeouf, esteticamente uma cópia de Marlon Brando) que o coloca na pista do tesouro, que estaria no Peru.

Supostamente, também teria morrido enquanto buscava a relíquia o conquistador Francisco de Orellana, que também tem seu espaço no filme. Para encontrar a caveira, Indiana e seu novo amigo vão ao Peru, onde encontrarão novamente os soviéticos em seu caminho.

O roteiro foi bem escrito o suficiente para convencer Spielberg a participar da nova saga, algo que Lucas queria fazer desde 1994, mas encontrava resistência por parte do diretor, como ele mesmo contou hoje na entrevista coletiva.

"Fui em quem teve que ser convencido. Agora estou fazendo filmes com significado. Prefiro os dramas históricos", admitiu Spielberg, que acrescentou que demorou um "certo tempo encontrar a boa história".

Foi de Lucas a idéia de usar a caveira de cristal. "Sempre buscamos um artefato que é ou não real e que tem efeitos sobrenaturais", disse Lucas, que acrescentou que para ele o importante é "crer que há muita gente que acredita que é real".

Em qualquer caso, Spielberg foi obrigado a se render à evidência dos desejos de seus fãs.

"Durante anos me torturaram. Os únicos filmes os quais pedem que eu faça seqüência são 'E.T - O Extraterrestre' e 'Indiana Jones'.

Não pedem que eu faça outra parte de 'A.I. - Inteligência Artificial'", disse Spielberg, entre os risos de seus colegas.

Já Harrison Ford qualificou de "muito gratificante" que haja um "interesse constante neste personagem e em sua história, que já têm 30 anos".

O ator elogiou seus colegas de cena. Assim, disse que ter a antagonista sendo interpretada por Cate Blanchett, "uma atriz tão poderosa e convincente como é, é a forma de ter a oportunidade de atender às expectativas".

Sobre Spielberg, disse: "Era um brilhante diretor quando era jovem, há 20 anos, e é inclusive melhor agora. Não sei como é possível. Temos uma relação muito especial, de enorme confiança".

O diretor não ficou atrás, e afirmou que qualquer cineasta que trabalhou com Harrison Ford "tem uma arma secreta", porque é um dos atores mais esforçados e que acrescenta mais às filmagens, o que põe "muita pressão a cada dia de gravação".

Quanto ao futuro do personagem, Spielberg ressaltou que dependerá de "se quiserem mais dele".

Isso parece ter ficado claro, pelo menos pela dificuldade em se obter a credencial de imprensa, apesar dos 2.321 lugares do cinema no qual o filme foi exibido.

O que se viu foram empurrões e pessoas correndo para entrar na entrevista coletiva (aí sim, muito limitados), e muitos aplausos, gritos e milhares de fotografias tiradas pelos jornalistas.

O mais requisitado foi Harrison Ford, que se mostrou bastante solícito, tirando muitas fotos e dando autógrafos sem parar.

Seus colegas de cena olhavam para o tumulto entre divertidos (John Hurt e Karen Allen), irritados com a pouca atenção recebida (Cate Blanchett e Ray Winstone) ou simplesmente muito empolgados (Shia LeBeouf). EFE agf/db

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