Novo Congresso inicia trabalhos com polêmica nos EUA

A primeira sessão do novo Congresso americano, com deputados e senadores eleitos em novembro, foi realizada nesta terça-feira em meio à polêmica em torno do nome escolhido para ocupar a vaga deixada pelo presidente eleito Barack Obama (que era senador democrata pelo Estado de Illinois). Os democratas vetaram a indicação de Roland Burris, ex-procurador-geral de Illinois, porque ele foi escolhido pelo governador do Estado, Rod Blagojevich, que é alvo de uma investigação criminal sob a acusação de ter tentado vender a vaga de Obama.

BBC Brasil |

"Eu apresentei minhas credenciais ao secretário do Senado, mas fui avisado de que minhas credenciais não estavam em ordem", disse Burris em entrevista a repórteres em frente ao Capitólio.

Burris afirmou que não quer confrontação, mas está analisando opções para conseguir ocupar a vaga e vai consultar seus advogados.

Em seu discurso na sessão de abertura, o líder da maioria democrata, o senador Harry Reid, disse que Burris "não tem as credenciais necessárias do Estado de Illinois".

O secretário de Estado de Illinois tem se recusado a assinar a carta de indicação de Burris, também assinada pelo governador, como exigem as regras do Senado.

Um dos advogados de Burris, Timothy Wright, disse que seu cliente foi impedido de dirigir-se ao local em que os novos membros do Senado fazem seu juramento, ação que considera ilegal.

Situação "confusa'
Em entrevista à rede de televisão americana CBS na manhã desta terça-feira, Burris disse que os argumentos de que sua indicação seria inválida ou inadequada não têm fundamento.

Segundo o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, a polêmica em torno da indicação de Burris é confusa e provavelmente levará meses para ser solucionada.

De acordo com Webb, alguns defendem a realização de uma eleição especial para preencher a vaga, mas essa opção, além de custar caro, cria a possibilidade de que o pleito seja vencido por um republicano.

Minnesota
Além da vaga de Burris, há uma outra polêmica no Senado, em torno do representante de Minnesota.

Desde as eleições de 4 de novembro, o Estado ainda não conseguiu divulgar um resultado oficial sobre a vaga no Senado.

Na segunda-feira, autoridades do Estado afirmaram que a recontagem dos votos indicou a vitória do democrata Al Franken por 225 votos.

No entanto, seu adversário republicano, Norm Coleman, ainda tem um prazo de sete dias para contestar o resultado.

Ninguém poderá ser declarado vencedor oficial até que as opções legais de Coleman tenham sido esgotadas.

Bancada
Com as eleições de novembro, os democratas detêm 56 cadeiras no Senado, sem contar Minnesota, além de dois independentes que votam com o partido. Os republicanos têm 41 assentos.

Apesar da vantagem, o Partido Democrata não tem os 60 votos necessários para impedir a tática de postergar votos por meio de emendas, discursos e debates - muitos até não-relacionados aos temas que serão votados - conhecida no jargão político americano como "fillibuster".

Na Câmara dos Representantes, os democratas têm 256 assentos, e os republicanos, 178.

A sessão inaugural desta terça-feira no Congresso marca a eleição da democrata Nancy Pelosi para mais um mandato de dois anos como presidente da Câmara dos Representantes.

Pacote
O Congresso americano costuma entrar em recesso até a posse do novo presidente (Obama assumirá o governo no dia 20) ou o tradicional discurso do Estado da União, proferido pelo líder americano no final de janeiro.

No entanto, com o agravamento da crise econômica, os democratas afirmaram que irão tentar agir rapidamente para garantir a aprovação de um novo pacote de estímulo à economia americana.

Na segunda-feira, Obama se reuniu com os líderes do Congresso para discutir o plano que, segundo a imprensa americana, poderia chegar a cerca de US$ 800 bilhões (R$ 1,8 trilhão), sendo US$ 300 bilhões (R$ 680 bilhões) em cortes de impostos.

Os democratas esperavam que o pacote estivesse pronto para ser sancionado por Obama logo após a posse, mas agora já admitem que isso não será possível antes de meados de fevereiro.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG