Novo chefe da Otan promete conciliação com muçulmanos

Por Daren Butler e Ayla Jean Yackley ISTANBUL (Reuters) - O ex-primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen afirmou nesta segunda-feira que estará atento às sensibilidades religiosas como novo chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em comentários com o objetivo de tranquilizar preocupações muçulmanas sobre a sua nomeação.

Reuters |

A Turquia ameaçou vetar Rasmussen devido a seu papel na crise deflagrada pela publicação de charges do profeta Maomé em um jornal dinamarquês em 2006. Seus comentários ficaram longe de um pedido total de desculpas, como esperavam autoridades turcas.

"Eu respeito o Islã como uma das maiores religiões do mundo e também os seus símbolos religiosos", afirmou Rasmussen durante uma conferência em Istambul, que tem o objetivo de aproximar o mundo muçulmano e o Ocidente.

A conferência coincidiu com a primeira visita de Barack Obama ao mundo muçulmano como presidente dos Estados Unidos. Ele se encontrou com autoridades turcas em Ancara e também participaria da conferência.

"Fiquei muito aflito que as charges tenham sido vistas por muitos muçulmanos como uma tentativa da Dinamarca de criticar e insultar ou agir desrespeitosamente em relação ao Islã ou ao profeta Maomé. Nada poderia ter passado mais longe da minha mente", disse Rasmussen.

A disputa dentro da Otan, que ameaçou a imagem de unidade da aliança militar em seu encontro de 60o aniversário, foi resolvida depois que Obama garantiu que comandantes turcos estariam no comando da aliança e que um dos vices de Rasmussen seria um turco.

Alegando liberdade de expressão, Rasmussen defendeu a publicação das charges, que causaram protestos em todo o mundo muçulmano, e se recusou a desculpar-se com os países ofendidos.

"Durante meu mandato como secretário-geral da Otan, eu prestarei atenção às sensibilidades religiosas e culturais das diferentes comunidades que povoam nosso mundo cada vez mais pluralístico e globalizado", disse Rasmussen.

Atualmente, a Otan está empenhada na maior operação militar de sua história, no Afeganistão, e a Turquia, único país membro da aliança que é predominantemente muçulmano, afirmou que a nomeação de Rasmussen poderia dificultar a missão da aliança na região.

O premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse na conferência que um Afeganistão pacífico é crucial.

"Queremos que o Afeganistão se apoie em seus próprios pés. Queremos reconciliar a população civil, pôr fim ao terror e oferecer ao povo afegão todas as oportunidades para viver em paz e desenvolvimento", afirmou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG