O novo chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, disse nesta segunda-feira que o Irã não está colaborando com o órgão da ONU para sanar dúvidas referentes ao seu programa nuclear. Amano declarou a um painel de representantes de 35 países, em Viena, que a agência não pode confirmar que todo o material nuclear no Irã é usado para fins pacíficos porque o governo iraniano não cooperou o suficiente.

Analistas dizem que as declarações de Amano indicam que ele adotará um tom mais crítico do que o de seu predecessor, Mohamed el Baradei, que deixou o cargo em dezembro.

Esta foi a primeira vez que o japonês Amano discursou ao conselho da agência desde que assumiu o posto. Ele havia se declarado "resoluto em impedir a proliferação de armas nucleares" por vir de um país que experimentou as devastações causadas por bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki,
Acusações
Correspondentes dizem que as declarações sobre a falta de cooperação por parte do governo iraniano podem fortalecer o argumento das nações que pedem por sanções mais duras contra o Irã.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, rejeitou as alegações.

"Temos colaborado plenamente com a agência. A cooperação continuará", disse ele.

O Irã insiste que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins pacíficos e visaria a geração de energia e o uso medicinal. Teerã acusa a agência da ONU se ser influenciada pelos Estados Unidos.

Mas críticos dizem que a iniciativa do Irã de enriquecer urânio a 20% é o primeiro passo rumo ao desenvolvimento de armas nucleares.

No ano passado, o Irã revelou a existência de instalações nucleares secretas em montanhas próximas à cidade de Qom e declarou estar planejando a construção de outras 10 instalações de enriquecimento.

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