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Novo chanceler do Equador deve melhorar relações com Brasil , dizem analistas

O novo ministro de Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi, assumiu a pasta nesta terça-feira com a missão de politizar a chancelaria do país e deverá buscar uma reaproximação com o Brasil, de acordo com analistas ouvidos pela BBC Brasil. As relações diplomáticas entre o Brasil e o Equador estão em crise desde que a Odebrecht foi expulsa do país acusada de ter cometido irregularidades na construção de uma hidrelétrica.

BBC Brasil |

Falconi assume o ministério de Relações Exteriores com três grandes desafios: superar a tensão entre Brasil e Equador, restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia e explicar aos credores os motivos da declaração de moratória de parte da dívida externa.

Adrían Bonilla, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais no Equador acredita que o novo chanceler buscará dirimir a tensão com o governo brasileiro.

"Não foi intenção do governo gerar uma crise. O que se pode esperar é que o Equador tentará se aproximar e normalizar as relações com o Brasil", afirmou.

Unasul
Bonilla acredita que, com Falconi, haverá uma alteração importante na forma, mas não no conteúdo da política externa equatoriana.

"O conteúdo da política exterior não vai mudar. Provavelmente o desenvolvimento e a execução serão mais eficientes, mas a visão que Correa tem do mundo será a mesma", afirmou.

Para Marco Romero, diretor do Centro de Estudos Sociais e Globais da Universidade Andina Símon Bolívar, Falconi é mais diplomático do que a antecessora, e isso deverá ser usado para moderar o conflito com os vizinhos.

"No caso da Colômbia baixará a tensão sem uma melhora significativa na relação como um todo, já com o Brasil haverá uma relação mais política e os resultados da reunião da Unasul serão decisivos para definir como serão as relações a partir de agora", afirmou Romero à BBC Brasil.

Correa, que participa da Cúpula da Unasul nesta terça-feira na Bahia, tenta convencer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a crise foi desencadeada entre seu governo e a construtora brasileira Odebrecht. Na avaliação do governo equatoriano não é um problema entre os Estados.

Este argumento, porém, perdeu a força quando o governo equatoriano entrou com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o BNDES para a construção em seu país da usina hidrelétrica San Francisco. A usina apresentou falhas depois de uma ano de funcionamento, o que desencadeou a crise.

'Ingenuidade'
O presidente equatoriano, Rafael Correa, admitiu nesta terça-feira ter tratado com ingenuidade a diplomacia em seus quase dois anos de governo, ao privilegiar o comércio em detrimento das relações políticas.

"Foi uma ingenuidade da nossa parte não ter pensado em razões geopolíticas e somente em (relações) comerciais", afirmou o presidente ao nomear Fander Falconi como chanceler.

O novo ministro de Relações Exteriores é um dos fundadores do Movimento País (Patria Altiva e Soberana), de Rafael Correa. Integrantes do governo consideram-no um dos ideólogos do projeto liderado pelo presidente.

Falconi substituiu a Maria Isabel Salvador, que renunciou ao cargo alegando "razões pessoais". Analistas acreditam, porém, que a saída de Salvador se deve a problemas de gestão e de comunicação com o presidente equatoriano.

Na avaliação de Adrían Bonilla, ao nomear Falconi, um de seus homens de confiança no governo, Correa dá uma nova importância à política exterior do país.

"A política exterior começa a importar ao governo, que, até agora, não tinha muita idéia do que era isso", afirmou Bonilla à BBC Brasil.

Nesta terça-feira o próprio presidente admitiu certa fragilidade na sua política exterior, ao fazer referência à invasão do Equador pelo Exército colombiano em março deste ano, para atacar um acampamento das Farc (grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

"(O bombardeio) nos fez ver a dura realidade do que são as relações internacionais e de como são os jogos da geopolítica", afirmou.Na ocasião, o Equador rompeu relações com a Colômbia e até agora não há sinais de reabertura dos canais diplomáticos.

Sabotagem
Com a mudança de ministro, Correa também propôs uma reforma na lei para atribuir maior peso político ao Ministério de Relações Exteriores, por considerar que há resistência entre os diplomatas de carreira à aplicação da linha dele.

Se aprovada, o chanceler poderá nomear "funcionários políticos" - uma espécie de cargo de confiança dentro da chancelaria.

"Com todo respeito àqueles bons funcionários, sim, encontramos na chancelaria um caos, o burocratismo do mínimo esforço", afirmou Correa.

Além das contendas regionais, Fander Falconi, que é economista, terá de enfrentar as instituições internacionais para explicar a declaração de moratória de parte da dívida externa do país.

"Falconi poderá assumir uma tarefa mais ativa na explicação de porquê o Equador optou por não pagar a dívida externa", disse Marco Romero.

"Não será tarefa fácil assumir o Ministério neste momento", acrescentou.

Correa declarou na sexta-feira, a moratória de uma parte de sua dívida externa, decidindo não pagar US$ 30,6 milhões de juros do bônus Global 2012. Com a medida, o governo busca reestruturar a dívida.

O governo se ampara em um relatório da Comissão de Auditoria da Dívida Externa, que no mês passado qualificou de "ilegais" as dívidas dos bônus Global 2012 e 2030, equivalentes a US$ 3,8 bilhões.

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