QUITO (Reuters) - Ainda que por enquanto a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) não tenha nascido, o novo e ambicioso bloco continental já sofreu seu primeiro percalço quando, na quinta-feira, veio a público a renúncia do secretário-geral dela por considerar a iniciativa pouco eficaz. O pedido de afastamento do ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja representa um golpe para o novo projeto de integração regional, a ser lançado na sexta-feira, em Brasília, durante uma cúpula da qual devem participar chefes de governo e de Estado dos 12 países sul-americanos.

A Unasul pretende transformar-se na instância diplomática máxima de um subcontinente atravessado por profundas disputas entre, de um lado, os países aliados dos EUA, como a Colômbia, e, de outro, os países críticos aos EUA, como a Venezuela.

Borja disse que saía do cargo devido à resistência de alguns países sul-americanos em permitir que a Unasul, para que fosse 'eficaz', englobasse outras entidades sub-regionais da América do Sul, podendo assim realizar uma integração de escala regional.

'Devido a essa falta de sintonia, apresentei ontem (quarta-feira) meu pedido de renúncia à Secretaria Geral da Unasul, diante dos 12 presidentes e chefes de governo da nossa América', afirmou Borja a jornalistas.

A Unasul deve ser formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

A América do Sul, que neste ano realizou ao menos uma cúpula regional a cada dois meses, conta com vários blocos de integração regional, entre os quais a Comunidade Andina de Nações (CAN) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

'Os presidentes em sua maioria inclinam-se, de outro lado, pela formação de algo que mais se parece com um fórum do que com uma instituição orgânica. E isso realmente não me convence', acrescentou Borja, sem dar maiores detalhes sobre quais países rejeitaram os planos dele.

A nova entidade terá na qualidade de órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros das Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. A Unasul contará ainda com uma Secretaria Geral, com sede em Quito.

(Por Alexandra Valencia)

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