Novo atentado contra xiitas deixa 27 mortos no Iraque

Bagdá, 5 fev (EFE).- Um novo atentado contra peregrinos xiitas no Iraque deixou hoje 27 mortos perto da cidade de Karbala, onde foi celebrada uma importante festa religiosa, em uma sangrenta semana que já matou 80 fiéis.

EFE |

Dessa vez foi um carro-bomba seguido de um ataque com bombas lançado por um grupo de homens armados que emboscaram peregrinos na estrada que une Karbala com a província de Babel, ao sul de Bagdá.

Segundo informações, as explosões ocorreram quando milhares de fiéis xiitas se dirigiam a Karbala, a 110 quilômetros da capital, para celebrar o Arbain, festejo que marca o fim dos 40 dias de luto pela morte do imame Hussein, neto de Maomé e venerado pelo xiismo.

As fontes, que antes tinham dito que se tratava de dois carros-bomba, explicaram que os ataques ocorreram na zona de Qantara al-Salam, nos arredores da cidade, e que deixaram, além disso, 75 feridos, alguns deles com gravidade.

A televisão oficial "Al Iraqiya", por sua vez, que citou fontes do Ministério do Interior, afirmou que os mortos foram 31 e os feridos 150.

Trata-se do mesmo lugar onde há dois dias 20 pessoas morreram e outras 106 ficaram feridas pela explosão de uma motocicleta-bomba, também contra peregrinos xiitas.

Com o ataque de hoje, o número de vítimas mortais em atentados perpetrados nesta semana contra fiéis que peregrinavam a Karbala, onde se encontra o túmulo do imame Hussein, já supera as 80.

O mais sangrento deles foi o do último dia 1º, quando 41 pessoas morreram e 106 ficaram feridas em um ataque suicida perpetrado por uma mulher no bairro de Bob Sham, ao norte de Bagdá, contra um grupo de peregrinos.

Nesse mesmo dia em Bagdá pelo menos 12 pessoas ficaram feridas pela explosão de uma bomba caseira, enquanto um dia antes outro peregrino morreu e outros seis ficaram feridos em dois atentados ao sul da capital.

Além disso, no último dia 3, outras três pessoas morreram e 23 ficaram feridas pela explosão de três bombas armadas contra peregrinos xiitas na capital e na província de Babel, vizinha de Karbala.

Os ataques ocorreram apesar do amplo dispositivo de segurança lançado por ocasião da peregrinação anual, que representou o desdobramento de milhares de policiais e militares iraquianos na região, apoiados por helicópteros do Exército americano.

Mesmo assim, os atentados não conseguiram evitar que hoje que milhares de xiitas provenientes não só de outras regiões do Iraque, mas também de países vizinhos, lembrassem o Arbain.

A televisão iraquiana ofereceu imagens dos crentes que celebravam em Karbala, onde choraram, rezaram e bateram no peito e na cabeça em sinal de luto pela morte no ano 680.

Hussein é o terceiro dos 12 imames xiitas, após seu pai Ali Ibn Abu Talib - que se casou com Fátima, filha de Maomé - e de seu irmão Hassan.

Ele morreu na batalha de Tuff diante dos Exércitos do califa omíada Al Yazid, a quem se negou a jurar obediência. Sua morte marcou a derrota do xiismo, que defendia o califado hereditário pela linha de Maomé, contra o sunismo, partidário de um califa que se destacasse por seus dotes e não por sua origem.

Os ataques contra a peregrinação anual coincidem com a reviravolta política causada nesta semana no Iraque pela decisão de um comitê de apelação do Parlamento de reautorizar 500 candidaturas sunitas para as eleições de 7 de março.

As candidaturas tinham sido previamente canceladas por sua suposta vinculação com o ex-partido governante Baath, do ex-líder iraquiano Saddam Hussein, morto em 2006. EFE am/sa

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