Novo assentamento israelense irrita palestinos e aumenta tensão

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 18 mai (EFE).- A Autoridade Nacional Palestina (ANP) acusou Israel de estender a colonização com um assentamento cuja criação foi denunciada horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, receber hoje o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"Isso é uma clara mensagem, prova da insistência do Governo israelense em seguir adiante com suas políticas colonizadoras", se queixou o assessor presidencial palestino, Nabil Abu Rudaineh, após saber dos planos de Israel de retomar, três anos após a paralisação, a construção de um novo assentamento judaico.

Chamada de Maskiot, a nova colônia fica na região palestina do Vale do Jordão, 10 quilômetros ao sul da tripla fronteira entre Israel, Jordânia e Cisjordânia.

A colônia abrigará, em princípio, 20 famílias judaicas, mas os planos preveem uma rápida expansão.

Abu Rudaineh, que considera a decisão uma "provocação", exigiu ao presidente americano que obrigue Israel a cessar a colonização da Cisjordânia, porque, para ele, o novo assentamento "expressa claramente uma rejeição ao processo de paz e à solução de dois Estados".

Obama recebeu hoje Netanyahu em Washington pela primeira vez desde que os dois assumiram os cargos, no que é um contato com o objetivo de estudar as formas de retomar o processo de paz do Oriente Médio.

Após se reunir por cerca de duas horas com o primeiro-ministro israelense, Obama afirmou que Israel tem "obrigações claras" dentro do plano de paz para o Oriente Médio e que "os assentamentos devem ser detidos" nos territórios palestinos.

A reunião foi precedida de uma grande tensão pela recusa do líder israelense em aceitar a solução de dois Estados para dois povos - tal como exigem os EUA e a comunidade internacional-, e pela continuação da colonização judaica em território palestino ocupado.

Caso Washington não contenha a construção, como palestinos e círculos pacifistas israelenses temem, Maskiot pode ser o começo de um novo "boom" colonizador, uma vez que vários partidos ultradireitistas no Governo Netanyahu têm seu apoio entre os colonos, que exigem mais e mais casas.

"A colonização nunca foi detida durante o Governo anterior (de Ehud Olmert). Maskiot foi na realidade ideia deles, mas é certo que os colonos esperam agora uma construção em massa", explicou à Agência Efe Dror Etkes, conhecido pacifista israelense que nos últimos 15 anos acompanhou a construção das colônias.

Etkes assegura que, embora a decisão de construir Maskiot não seja nova, "é uma bofetada em Obama", porque sua construção estava há três anos congelada por pressões do anterior Governo dos Estados Unidos.

Na área de Maskiot havia até agora unicamente uma academia de preparação militar israelense e, dentro desse mesmo local, seis precárias casas pré-fabricadas, habitadas por famílias judaicas evacuadas em 2005 da Faixa de Gaza.

Agora, a cerca de 250 metros dali, Israel preparou terreno para a construção das 20 primeiras casas.

"Para nós, isso é um novo assentamento para todos os efeitos", denunciou o secretário-geral do movimento Paz Agora, o israelense Yariv Oppenheimer, para quem a academia militar era um "enclave temporário" e "fácil de dissolver".

"Agora já há desaguamentos, encanamentos, infraestrutura. Depois haverá casas e colonos. Não é a mesma coisa. Isso já é um assentamento permanente em toda regra", afirmou.

Ao divulgar a construção da colônia mediante licitação pública e uma viagem de reconhecimento ontem por parte dos construtores candidatos, o diário "Ha'aretz" lembra que Maskiot será o primeiro assentamento que Israel constroi no Vale do Jordão em 26 anos. EFE elb/rr

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