Novidadices

Oba! Tem novidade na praça. Estamos aí, ululo eu.

BBC Brasil |

Novidadeiro que sou. Agora ninguém me segura. Não asdepois que baixaram um AI-5 na pobre da desgraçada da língua portuguesa escrita e inscrita no Brasil e naqueles países que nunca que ninguém consegue saber direito nem o nome nem onde ficam.

Isso porque agora ficou decretado oficialmente, e civis e militares aprovaram, que é para se escrever assim e assado (e não mais açim e açado) a partir de 2009, senão é processado na lei de çeguranssa (escrevo no que suponho seja a nova grafia altaneiramente prescrita para, digamos, 2015). Vale o coringa, gente boa - como nos carteados dos motoristas de ônibus no fim da linha, antes de pegar a primeira viagem.

Isso aí. Cui bono. Sempre me perguntei quando da primeira vez em que se falou em unificação linguajal camono-machadiana. Quem lucra com esse negócios? Dove stá il tutu? Cherchez le toutou! Livro didático. Eu mesmo falei, eu mesmo disse, eu mesmo repito. Os livros didáticos começarão (tem que começar senão, ó cabeças de papel, vai tudo preso pro quartel) a chegar às escolas públicas em 2010, já incorporando aquela baita ausência circunflexo-acentual-tremal.

Sem esquecer da apócope hifenal também. O Ministério da Educação, em sua incanssável luta pela implantação da alfabetização generalizada, ou, ao menos, tenentizada, ou ainda, vá lá que seja, sargenteizada, o MEC, gaguejava eu, vai renovar em 2009 todo o acervo de dicionários para os estudantes do ensino fundamental e médio. Serão cerca de 8 a 10 milhões segundo outra sigla combativa, a FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). O negócio, ou acervo, como se diz nos termos financeiros intocados pela atual crise, o business atenderá a cerca de 37 milhões de alunos.

Ôba! Caixinha, obrigado. A família agradece penhorada.

O FNDE paresse, e parece também, que vai gastar de 70 a 90 milhões na compra de novos dicionários contendo o punhadinho de inovações técnicas.

Plim! Plim! Caixinha, de novo. Oooobrigado!
Os livros didáticos serão alterados de forma gradual. Que ninguém é de ferro. Todo mundo tem até 2012 para botar ou tirar esse negócio daí, circunloquiando a velha piada grosseira. Cês manjam.

Ah, sim. Em 2010, os estudantes da primeira à quinta série do ensino fundamental receberão os livros adequados (sem trema, plísi) já devidamente maquiados: rimmel, batom e rouge.

Enquanto esse 0,5% de reformas no brasileirês vai sendo faturado, um crioulo, em Cabo Verde, põe o carrinho de mão para vender. Escreve no cartaz em frente ao objeto: "Aceito qualquer oferta razoável."
Para em seguida assinar o nome embaixo:
"Nuno, o zarolho."
Tudo certinho.

....

Novidadeiridades. Tem palavra nova no mercado? Verbo de ação, além do mais? É comigo mesmo, sim, senhor. Agora descobri que há um verbo o que, a 3 por 2, sinto mas nunca soube expressar. É quando fico descomgooglaizado. Do verbo descomgooglaizar, primeira conjugação, e definido nos meios cibernéticos e butiquinais como uma vaga sensação de desconforto beirando a angústia existencial. Muito perto de uma daquelas personagens do velho e chatíssimo Antonioni.

A obsessão com a Net está tendo um impacto negativo na saúde mental de muita gente boa. Felizes os analfabetos que não sofrerão em nada com a reforma nem com os sintomas da descomgooglização.

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Não cessam, ou ceçam, as novidadeiridades. Na Nova Zelândia, um de seus 5 cientistas descobriu que escovar os dentes de um bom bocado (bom bocado é empadinha, uai!) de gente é uma boa para a saúde.

Não que tenha um pessoal caindo duro por aí de enfarte carial (de cárie, pomba!). Não, não. Escovar dente é bão para os dentes, para as gengivas, para os parceiros e parceiras nos doces embates de Eros. Disso sabemos. Foi preciso, agora, um neozelandês deshifenado dizer é que a aplicação de escova de dente acompanhada de pasta age nas gengivas, onde estão localizados os agentes responsáveis pelos males periodontais, aqueles mesmos responsáveis pelo enfarte e pelo derrame.

Portanto, escove os dentes, menino. Para não ter uma parada cardíaca ou ficar derramado feito batatinha pelo chão, com a mão no coração.

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