Nove pessoas morrem em Gaza em mais um dia violento

Gaza, 9 abr (EFE).- Pelo menos seis palestinos e três israelenses morreram hoje na Faixa de Gaza alguns dias depois de Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) terem se comprometido a continuar negociando apesar dos obstáculos ao processo diplomático.

EFE |

Os seis palestinos - entre eles três crianças - morreram em três eventos separados no sul e no leste da Faixa de Gaza, os quais também deixaram seis feridos, segundo Raed al-Arani, chefe de relações públicas do hospital Shifa.

A primeira vítima fazia parte do braço armado do movimento islâmico Hamas e morreu hoje de manhã durante uma incursão do Exército israelense na aldeia de Al-Qarara, no sul de Gaza, em uma operação na qual um soldado israelense também foi morto.

À tarde, uma incursão palestina no terminal de combustíveis da passagem fronteiriça de Nahal Oz, por onde a Faixa é abastecida, desencadeou uma nova onda de ataques aéreos israelenses sobre Gaza.

Segundo fontes palestinas, quatro milicianos atacaram o terminal em uma ação conjunta da Jihad Islâmica, dos Comitês Populares da Resistência e das Brigadas Mujahedin, vinculadas ao Fatah.

Segundo a Estrela de Davi Vermelha (equivalente israelense da Cruz Vermelha), dois vigilantes civis israelenses morreram no ataque e duas pessoas ficaram feridas como conseqüência dos morteiros disparados contra o terminal.

Um comunicado à imprensa divulgado pelos três grupos assegura que quatro milicianos entraram no terminal, dispararam contra os funcionários do lugar e conseguiram fugir.

No entanto, fontes militares israelenses asseguraram que dois dos rebeldes foram mortos por soldados do país, informação desmentida em seguida pelos grupos responsáveis pelos ataques.

As outras cinco pessoas que morreram hoje na Faixa de Gaza foram vítimas de ataques aéreos cometidos após a incursão israelense com o objetivo de atingir os milicianos.

Segundo Raed al-Arani, um tiro de tanque atingiu um carro no bairro Zeitoun, em Gaza, matando um miliciano e três crianças. Outro rebelde morreu em um ataque israelense no leste da Faixa.

Israel declarou o fechamento do terminal de abastecimento até segunda ordem e impediu o fornecimento de combustível à Faixa de Gaza, onde o produto já está em falta desde junho de 2007, quando o país impôs um bloqueio ao território.

"O terrorismo palestino ataca passagens humanitárias como a de Nahal Oz, por onde entra abastecimento vital", disseram fontes militares de Israel.

Mesmo sem estar envolvido na incursão, o Ministério de Assuntos Exteriores israelense considerou, via comunicado oficial, que o responsável pela morte dos dois soldados do país é o movimento Hamas, porque "controla a Faixa".

A nota ainda diz que este ataque "prova novamente que os terroristas de Gaza atacam não só israelenses, mas também danificam infra-estruturas civis que permitem uma vida normal na Faixa".

"Israel transfere alimentos, combustível, remédios, equipamentos e ajuda humanitária todos os dias aos moradores da Faixa de Gaza, e os terroristas estão tentando prejudicar esta atividade, com o que também atrapalham a vida e o bem-estar dos habitantes do local", conclui o comunicado.

Os incidentes de hoje ocorrem dois dias depois de o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert e o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, se comprometerem a não deixar que "a situação no terreno prejudique" as negociações entre Israel e a Autoridade iniciadas na Conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, em 2007.

EFE sar/bba/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG