Novas vítimas civis minam ofensiva da Otan no Afeganistão

Cabul, 22 fev (EFE).- Um novo ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) matou ao menos 27 civis no Afeganistão, num erro tachado de injustificável pelo Governo local e que volta a obscurecer a ofensiva contra os talibãs no sul do país.

EFE |

Cabul condenou "nos termos mais enérgicos possíveis" o ataque aéreo, ocorrido ontem à noite na província de Daykundi, e exigiu à Otan que coordene as ações com as forças afegãs e tenham mais cuidado em operações futuras.

Em comunicado divulgado pelo Palácio Presidencial, o Governo, que em princípio tinha cifrado em 33 o número de mortos mas horas depois reduziu para 27, tachou de "injustificável" a ação e advertiu que os erros que prejudicam a população são um obstáculo para a luta contra o terrorismo.

Entre os mortos há quatro mulheres e uma criança, além de 12 feridos.

Segundo o relato das autoridades afegãs, a Otan realizou ontem à noite um ataque aéreo contra três veículos que circulavam pelo distrito de Kajran em direção a Kandahar.

Zemarai Bashary, porta-voz do Ministério do Interior, disse à Agência Efe que a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), comandada pela Otan, confundiu os passageiros dos veículos atacados com talibãs.

A Otan divulgou hoje um comunicado no qual se limitou a admitir que um número não determinado de pessoas morreram ou ficaram feridas durante a ofensiva aérea.

A Isaf explicou que as tropas localizaram um grupo de possíveis insurgentes quando estavam no caminho para lançar um ataque contra uma patrulha militar. Por isso, interceptou os veículos e disparou.

Segundo a nota, quando os soldados chegaram ao local do ataque, encontraram mulheres e crianças e levaram os feridos a um hospital militar.

"Estamos enormemente tristes pela perda trágica de vidas inocentes. Deixei claro a nossas forças que estamos para proteger o povo afegão; matar ou ferir involuntariamente civis abala sua confiança em nossa missão. Redobraremos nossos esforços para recuperar essa confiança", disse o chefe da Isaf, Stanley McChrystal.

O general americano se reuniu ontem à noite com o presidente afegão, Hamid Karzai, antes que a informação sobre os mortos se tornasse pública, e lamentou as vítimas. McChrystal se comprometeu a colaborar em uma investigação conjunta com as autoridades do país.

O novo erro da Otan coincide com a ofensiva que as tropas estrangeiras, apoiadas pelo Exército afegão, realizam desde o dia 13 contra redutos rebeldes na província de Helmand, fronteiriça com Uruzgan e Daykundi.

Durante o segundo dia da operação, 12 civis morreram no lançamento de dois foguetes da Otan.

A Isaf disse, em princípio, que os projéteis tinham desviado 300 metros do alvo, mas depois assegurou que a plataforma de lançamento tinha funcionado corretamente. A informação reforçou a teoria de que os talibãs usam civis como escudos humanos.

Segundo os últimos números oficiais, pelo menos 16 civis morreram na operação, que conta com a participação de 15 mil soldados e cujo palco principal é o núcleo urbano de Marjah, de 80 mil habitantes.

De acordo com o boletim diário sobre a operação divulgado pela Isaf, que relata os combates do dia anterior, ontem houve vários confrontos armados no distrito de Nad Ali (Helmand), onde a Otan disse ter "um otimismo cauteloso" perante os primeiros sinais de "retorno à normalidade".

Em Marjah a situação é diferente e as tropas progridem lentamente perante a resistência de pequenos grupos de insurgentes, como reconheceu a Otan.

Após o início da ofensiva, Karzai e a missão da ONU no Afeganistão pediram às tropas internacionais que evitassem baixas civis durante os combates e que descartassem o uso de bombardeios em áreas povoadas.

McChrystal assumiu o comando da Isaf em meados do ano passado com a prioridade de reduzir as vítimas civis.

Segundo um relatório da ONU, 2.412 civis morreram por causa do conflito armado em 2009, 25% deles em ações militares atribuídas às forças estrangeiras e afegãs. EFE lo/rr

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