Novas tropas russas na Abkházia não são forças de paz, diz enviado dos EUA

Moscou, 10 mai (EFE).- O subsecretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para Assuntos Europeus e Asiáticos, Matthew Bryza, denunciou hoje que as novas tropas russas posicionadas na região separatista georgiana da Abkházia não são forças de pacificação, nem se uniram ao contingente de paz.

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"As novas tropas aerotransportadas russas não se juntaram ao contingente de paz russo. Estão em outro lugar. Não se sabe onde estão ou o que fazem. Isso é perigoso", disse Bryza à Agência Efe, em conversa por telefone de Sokhumi, capital da Abkházia.

Bryza considerou uma "provocação" a recente decisão da Rússia de aumentar de 2.000 para 2.500 soldados o efetivo em solo da Abkházia, devido a uma suposta acumulação de tropas georgianas na fronteira com a região separatista e "a ameaça de uso da força".

"Isso não é verdade. Segundo os observadores da ONU na zona, a Geórgia não enviou tropas à zona de conflito ou ao desfiladeiro de Kodori", disse.

De acordo com o enviado americano, as recentes decisões russas "criam obstáculos ao advento da paz e da estabilidade na região (...) e contradizem o desejo da Rússia de ser mediador no processo de resolução do conflito", disse.

"Temos a impressão, embora possamos estar errados, que em Moscou há algumas pessoas que desejariam aumentar o nível de tensão e provocar uma ação militar", disse.

O diplomata, que também criticou a decisão unilateral de Moscou de estabelecer relações econômicas diretas com as regiões separatistas Abkházia e Ossétia do Sul, pediu que a Rússia atenda à proposta apresentada pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

"Saakashvili está tentando impulsionar um plano de paz para aliviar a tensão na zona", disse.

Além disso, disse que o objetivo de sua visita a Tbilisi e a Sokhumi era "rejuvenescer" o processo de paz, e colocou a possibilidade da participação de outros países da região, como "a Ucrânia e a Turquia".

"As partes em conflito precisam da ajuda de outros países. Não queremos limitar a contribuição de ninguém", afirmou Bryza, que manteve hoje consultas com o líder da Abkházia, Serguei Bagapsh.

O enviado americano também insistiu na solução do conflito entre Tbilisi e as regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas da Geórgia.

O chefe da diplomacia da Abkházia, Serguei Shamba, disse à Efe que a participação de outros países no processo de resolução "não é necessária", já que o atual modelo de pacificação é válido.

Além disso, defendeu o aumento das tropas russas em seu território, ao considerar que não superam os limites estabelecidos pelo mandato de paz de 1994. EFE io/bm/an

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