Novas sanções são único caminho contra Irã, dizem EUA e França

PARIS - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, e o ministro de Defesa da França, Hervé Morin, pronunciaram-se nesta segunda-feira a favor de novas sanções da ONU sobre o programa nuclear iraniano, cujos fins seriam militares, segundo os dois países.

iG São Paulo |

"Temos que encontrar uma forma pacífica de resolver essa questão.
Para isso, toda a comunidade internacional deve fazer pressão", ressaltou Gates após uma reunião com Morin em Paris.

O ministro francês, por sua vez, ressaltou que "toda a comunidade internacional tentou estabelecer condições de diálogo durante meses" com o Irã, embora "não se tenha conseguido nada".

"Infelizmente, será necessário um diálogo internacional que conduzirá a novas sanções", acrescentou Morin.

Enriquecimento a 20%

As declarações foram feitas um dia depois de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ter ordenado suas autoridades nucleares que elevassem a 20% - dos atuais 5% - o grau de enriquecimento do urânio iraniano .

AP
Ahmadinejad anunciou aumento no enriquecimento de urânio
Ahmadinejad anunciou
decisão no domingo
No mesmo dia, o chefe do programa nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que o país começaria já esta semana a enriquecer urânio em 20% em Natanz, a principal usina de enriquecimento de urânio iraniana. Ele afirmou ainda que dez novas usinas do gênero seriam construídas no país até o fim do próximo ano.

Nesta segunda-feira o país enviou uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica para comunicar a ONU oficialmente de sua decisão.

Atualmente o Irã enriquece urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento do reator nuclear de Teerã, desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em ao menos 90%.

Autoridades iranianas e porta-vozes dos Estados Unidos e da União Europeia não conseguiram chegar a um acordo sobre o programa de enriquecimento de urânio do Irã. De acordo com propostas que vêm sendo discutidas desde outubro, 70% do urânio iraniano seriam enviados ao exterior com baixo índice de enriquecimento (3,5%). O material iria para Rússia ou França, para ser então enriquecido a 20% e transformado em combustível para reatores.

De acordo com analistas, depois de idas e vindas nas negociações o governo iraniano decidiu mostrar que perdeu a paciência e, portanto, pretende enriquecer urânio de maneira doméstica.

A decisão alarmou a comunidade internacional . EUA e União Europeia temem que o aperfeiçoamento na tecnologia nuclear iraniana colabore para o objetivo de permitir ao país construir sua própria bomba nuclear.

Direitos humanos

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) condenaram nesta segunda-feira em comunicado comum "a persistência das violações dos direitos humanos" no Irã desde a eleição presidencial de junho de 2009.

"As detenções em grande escala e os processos em massa, as ameaças de executar manifestantes, as intimidações às famílias dos detidos e a negação contínua do direito de expressão pacífico dos cidadãos são contrários aos direitos humanos", diz o texto, divulgado pela Casa Branca.

"Nossa preocupação se baseia no compromisso com um respeito universal dos direitos humanos. Estamos muito preocupados com a possibilidade de mais violência e mais repressão nos próximos dias, por causa do aniversário da fundação da República Islâmica, em 11 de fevereiro", segundo a mesma fonte.

Mais de 4 mil manifestantes e oposicionistas foram detidos no Irã durante e depois dos protestos contra o governo que seguiram a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad. A repressão deixou 36 mortos segundo as autoridades, e 72 segundo a oposição.

Outras centenas de opositores foram detidos nos meses seguintes, em manifestações contra o governo duramente reprimidas.

*Com informações da EFE e AFP

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