Esboço de resolução nota esforço diplomático de Brasil e Turquia e prevê restrições contra Guarda Revolucionária

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que a quarta rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU contra o Irã, que devem ser votadas na quarta-feira , são as mais duras que o país já enfrentou. "Essas são as sanções mais significativas que o Irã já enfrentou", afirmou Hillary em Quito com o presidente do Equador, Rafael Correa.

Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversa com presidente do Equador, Rafael Correa, antes de coletiva em Quito
AP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversa com presidente do Equador, Rafael Correa, antes de coletiva em Quito
O embaixador mexicano na Organização das Nações Unidas (ONU), Claude Heller, atual presidente do Conselho de 15 nações, disse que a reunião da votação ocorrerá às 11 horas de quarta-feira (horário de Brasília). O esboço da resolução, que pode ser modificada antes de ser votada em plenário, nota o "esforço de Brasil e Turquia para "esforço" de Brasil e Turquia para conseguir um acordo de troca de urânio com o Irã, que funcionaria como um gesto de boa vontade.

Segundo a CNN, a resolução poria restrições contra entidades e indivíduos iranianos, incluindo a Guarda Revolucionária, o braço militar do regime teocrático. Diplomatas ocidentais disseram à Reuters haver um indivíduo e 41 instituições numa lista negra no esboço de resoluções. Eles identificaram a pessoa como Javad Rahiqi, diretor de um centro nuclear em Isfahan, onde o Irã tem uma unidade de processamento de urânio.

O esboço de resolução prevê medidas contra novos bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação com programas nuclear e de mísseis, e também uma vigilância sobre transações com qualquer banco iraniano, incluindo o Banco Central.

O documento reitera a exigência do CS da ONU para que Teerã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio e outras atividades sensíveis de proliferação nuclear. Ela pede que o governo iraniano coopere completamente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de supervisão nuclear da Organização das Nações Unidas.

Entre outras restrições que as sanções imporiam estão a ampliação de um embargo de armas, um congelamento de bens e a proibição de viagem de indivíduos e companhias que lidam com a Guarda Revolucionária, além do requerimento de que os países proíbam investimento iraniano em atividades comerciais externas capazes de permitir o desenvolvimento de armas nucleares.

O esboço da resolução foi resultado de meses de conversas entre EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia. As quatro potências ocidentais desejavam medidas mais duras, algumas contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou trabalharam intensamente para diluir essas propostas.

A resolução precisa de nove votos para ser aprovada e nenhum veto dos cinco membros permanentes. As potências do Ocidente acreditam que 12 dos 15 membros do Conselho de Segurança votarão a favor da resolução, e não haverá vetos, permitindo que a medida seja aprovada. Brasil, Turquia e Líbano devem ser contrários às sanções.

Brasil e Turquia

Um encontro a portas fechadas foi marcado para o fim da quarta-feira para dar ao Brasil e à Turquia, que são membros temporários do órgão, a oportunidade de expor sua opinião sobre um acordo que mediaram para troca de combustível nuclear com o Irã , disse Claude Heller.

Em maio, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o prmiê turco, Tayyip Erdogan, viajaram a Teerã para alcançar o acordo, considerado insuficiente pelos EUA. Os dois países argumentam que uma nova rodada de sanções seria contraproducente. 

Pelo acordo mediado por Brasil e Turquia, o Irã concordou em enviar parte de seu urânio de baixo enriquecimento ao exterior em troca de combustível para ser usado em um reator nuclear em Teerã, construído anos atrás pelos EUA para pesquisas médicas. O acordo previa que o Irã entregasse ao exterior 1,2 tonelada de urânio enriquecido a 3,5% para em troca receber, no prazo de um ano, 120 quilos de material nuclear enriquecido a 20%.

Reação iraniana

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reagiu à perspectiva da votação afirmando nesta terça-feira que Teerã se negará a iniciar novas discussões sobre seu programa nuclear se sofrer sanções por parte da ONU. Em Istambul, na Turquia, o líder iraniano advertiu que um acordo como o alcançado com a Turquia e o Brasil é algo que não se repetirá.

"Já disse que a administração americana e seus aliados se equivocam se acham que podem esgrimir a ameaça de uma resolução e depois sentar à mesa para negociar conosco. Isso não vai acontecer", afirmou. Ahmadinajed pediu às potências ocidentais que aceitem o acordo, afirmando que se trata de uma oportunidade única.

Uma fonte iraniana de alto escalão alertou para uma "reação apropriada" por parte do país contra as potências mundiais. Um parlamentar disse que Teerã vai reconsiderar sua cooperação com a AIEA se as sanções forem aprovadas - uma ameaça que o país já fez anteriormente.

O Irã diz que seu programa de desenvolvimento nuclear tem o objetivo de produzir energia para uso civil, mas autoridades americanas e europeias revelaram atividades que não parecem relacionadas à simples produção de eletricidade, afirmando que Teerã não cumpriu com obrigações do Tratado de Não-Proliferação Nuclear para permitir inspeções a todas suas instalações nucleares.

*Com Reuters, AFP e BBC

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