Novas revelações sobre tortura aumentam pressão sobre Obama

Céline Aemisegger. Washington, 22 abr (EFE).- As recentes revelações sobre as manobras legais do Governo George W.

EFE |

Bush para legitimar a tortura em interrogatórios contra suspeitos de terrorismo geraram uma forte pressão sobre o presidente Barack Obama para que leve os responsáveis à Justiça.

O presidente americano sugeriu que quer encerrar esse capítulo e deixou claro que os que realizavam as torturas não serão processados. Porém, não descartou a possibilidade de que sejam tomadas medidas contra aqueles que as tornaram legítimas.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, reiterou hoje que Obama considera que o conteúdo dos memorandos legais divulgados na quinta-feira passada "deve ser motivo" para refletir "e não um momento para condenações".

A desclassificação de quatro memorandos, através dos quais o Escritório de Assessoria Legal do Departamento de Justiça forneceu durante o Governo Bush o marco legal para que a CIA (agência de inteligência) usasse a asfixia simulada e outras práticas coercitivas em interrogatórios, gerou grande polêmica e controvérsia nos EUA.

A publicação hoje de um relatório do Senado, que indica que o Governo anterior começou a preparar o uso de técnicas coercitivas em interrogatórios antes de serem autorizadas legalmente e semanas antes que a CIA deteve o primeiro suspeito de terrorismo de alto nível, só pôs mais lenha na fogueira.

Ao relatório se soma um memorando do diretor do Serviço de Inteligência Nacional, Dennis Blair, publicado hoje na imprensa local, no qual se assinala que "a informação obtida mediante estas técnicas foi valiosa em algumas ocasiões".

No entanto, também diz que "não há nenhuma maneira de saber se esta mesma informação poderia ter sido obtida mediante outros meios".

Os memorandos, três dos quais foram elaborados em 2005 por Steven Bradbury e um escrito por Jay S. Bybee em 2002, ambos advogados do escritório legal do Departamento de Justiça, foram desclassificados em resposta a uma reivindicação da União Americana de Liberdades Civis (ACLU).

Os relatórios revelam os métodos coercitivos que eram aplicados, que incluíam, por exemplo, o uso de insetos em caixas onde eram colocados os interrogados, a privação do sono e a asfixia simulada.

No mesmo dia da divulgação das novas informações, Obama condenou essas práticas, mas explicou que não processará os que as realizaram porque se guiaram pela teoria legal que imperava no momento.

Desde a divulgação dos documentos, as vozes que criticam a desclassificação por entender que compromete a segurança nacional e aquelas que exigem que os responsáveis respondam perante a Justiça parecem competir em intensidade.

Entre aqueles que criticaram a decisão de Obama de publicar os documentos se encontra o ex-vice-presidente Dick Cheney, que qualificou de "um pouco inquietante" e ressaltou que o atual Governo não divulgou outros documentos que mostram "os sucessos desses esforços".

Cheney, um feroz crítico de Obama, pediu que os documentos sejam divulgados para que "o povo americano possa ver" o que foi conseguido e aprendido.

O ex-diretor da CIA Michael Hayden acusou o presidente de ter comprometido a segurança nacional, já que, segundo ele, revelou em meio a uma guerra com inimigos dos EUA os limites dos agentes nos interrogatórios.

Entre os que pedem justiça se encontram a ACLU e outras organizações defensoras de direitos humanos, assim como a ONU. No Congresso, se discute a abertura de uma investigação.

Na terça-feira, Obama deixou a porta aberta a possíveis acusações de altos funcionários que formularam as decisões legais sobre a tortura, mas deixou nas mãos do procurador-geral, Eric Holder, a decisão sobre qualquer ação dentro dos parâmetros da lei.

Obama também expressou seu desejo de que qualquer investigação que se possa abrir no Congresso seja feita de maneira "bipartidária" e a partir de uma comissão independente.

O líder, que ordenou o fechamento de Guantánamo e proibiu as torturas, deixou claro que quer "olhar para frente e não para trás" no assunto.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou hoje no Congresso que é necessário "revisar" a situação dos que redigiram os relatórios e daqueles que ordenaram a tortura.

A chefe da diplomacia americana disse ser partidária de "ir a fundo em todo este assunto", embora não tenha dito o que isso envolveria. EFE cai/rr

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