Novas propostas na OMC são última chance de salvar Rodada de Doha

Isabel Saco Genebra, 20 mai (EFE).- Os Estados-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) contam desde hoje com propostas para as negociações de liberalização dos mercados agrícola e industrial, que apesar de precisarem de grandes novidades, são, praticamente, a última chance de salvar a Rodada de Doha.

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Os assuntos mais espinhosos terão de ser resolvidos pelos ministros dos países, já que várias das decisões a serem tomadas são politicamente sensíveis, como reconheceram os responsáveis pelas negociações.

O embaixador canadense Don Stephenson, presidente do comitê que negocia a abertura dos mercados industriais, reconheceu que ficou "desesperado" diante do avanço lento das negociações e sustentou que sua evolução dependerá do que ocorrer na questão agrícola.

"Está claro que alguns membros desejam negociar a questão industrial no final, dependendo dos resultados na agricultura", declarou.

Para isso, os países "têm que negociar", o que visivelmente não aconteceu desde que Stephenson apresentou a versão anterior de sua proposta negociadora há três meses, insistiu em seus comentários.

"Houve pouca negociação e quase nenhum acordo", admitiu.

Seu colega no comitê de agricultura, o embaixador neozelandês, Crawford Falconer, foi mais otimista após esclarecer que seu texto "não tem muitas surpresas" e que seu objetivo fundamental nesta etapa das negociações "é esclarecer as opções e simplificar as coisas", após tomar conhecimento das diferentes posições dos países.

Para Falconer, o documento é "realista", mas advertiu que o "oxigênio" das negociações está acabando.

Um dos pontos mais complicados em matéria agrícola é o nível de cortes que os países ricos teriam de fazer nos subsídios concedidos a seus produtores nacionais e que distorcem o comércio. Trata-se de um assunto no qual Falconer decidiu manter sua proposta por causa da falta de progressos.

Se a proposta do diplomata for aprovada, o que parece muito difícil, a União Européia terá que reduzir essas ajudas entre 75% e 85%; Estados Unidos e Japão entre o 66% e 73%, e os outros países entre 50% e 60%.

Na área de abertura de mercados agrícolas, Falconer apresentou a maior novidade do texto ao propor uma categoria intermediária de cortes tarifários, que seriam mais importantes no caso dos produtos com tarifas mais altas.

A liberalização de produtos tropicais é outro tema sensível nesta negociação, que confronta um grupo de países exportadores (andinos e centro-americanos) com aqueles que gozam de preferências comerciais para vendê-los a terceiros (principalmente da África, o Caribe e o Pacífico).

Neste âmbito, o embaixador neozelandês manteve sua proposta precedente, na qual reunia pontos de vistas de ambos os grupos sem se decidir por nenhum.

As delegações dos 152 países-membros da OMC foram convocadas por Falconer para uma reunião no final de maio, onde discutirão o conteúdo de sua proposta.

Caso haja uma aproximação entre as partes, deve ser iniciada uma nova fase de negociação, comandada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. Dela, participariam altos funcionários vindo das capitais.

Se essa opção fosse à frente, poderia ser realizada uma reunião ministerial antes do recesso anual do órgão, em agosto. EFE is/rb/plc

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