Novas mortes por gripe suína aumentam alerta no México

Raúl Cortés. México, 27 abr (EFE).- O número de mortes supostamente causadas pela gripe suína no México subiu hoje para 149, no mesmo dia em que as autoridades admitiram que existem casos suspeitos nos 32 estados mexicanos, o que colocou todo o país em alerta.

EFE |

Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, José Ángel Córdova, atualizou o número de mortos, que apenas 14 horas antes era de 103, embora tenha esclarecido que delas somente 20 foram confirmadas por exames virológicos.

Desde o início da epidemia foram realizados 2.373 estudos de laboratório, nos quais se detectaram 172 casos do vírus A/N1H1.

No total, 1.995 pessoas foram hospitalizadas, 776 permanecem internadas e 1.070 receberam alta, ou seja, 53,3%. O índice de mortalidade se aproxima de 7%.

O estado de emergência veio à tona na quinta-feira passada, quando as autoridades anunciaram a suspensão das aulas na capital mexicana e no contíguo Estado do México.

Até hoje, acreditava-se que o primeiro caso tinha sido registrado em 13 de abril no estado de Oaxaca, no sul, mas hoje Córdova admitiu que uma criança adoeceu em 2 de abril em Veracruz, no Golfo do México, embora aparentemente tenha se salvado.

Segundo Córdova, houve mortes suspeitas em dez estados, mas há casos prováveis em todo o território nacional.

O Governo afirma, no entanto, que não houve "um surto especial nas últimas horas em algum lugar em particular".

Consultado sobre a duração da epidemia, Córdova apontou: "É um vírus diferente, então é difícil. Como vamos poder saber?".

"Até que não tenhamos uma redução consistente", com uma queda durante vários dias ou uma semana, "não poderemos dizer que estamos já perante o desaparecimento do problema", comentou.

O ministro anunciou a suspensão das aulas em todo o país, uma medida que até agora somente afetava a capital mexicana, o Estado do México e San Luis Potosí, estado do centro-norte mexicano.

Além disso, admitiu que o Governo "considera paralisar as atividades" trabalhistas caso seja necessário, embora tenha frisado que "evidentemente seja preciso avaliar sempre o custo-benefício".

A Cidade do México apresentou hoje um aspecto inédito, muito diferente ao de qualquer segunda-feira do ano, porque muitos não foram ao trabalho e vários estabelecimentos comerciais permaneceram fechados.

As máscaras azuis, que a maioria dos cidadãos colocou no rosto, geraram no imaginário coletivo a ideia de que o México está dentro de um filme com traços apocalípticos.

Para o clima de alarde, contribuiu um tremor de 5,7 graus na escala Richter que gerou pânico em casas e edifícios.

Córdova, surpreendido pelo tremor em plena coletiva de imprensa, reiterou a recomendação do uso máscaras, embora tenha admitido que elas "não eliminam em 100%" o risco de contágio.

Fora isso, explicou que estão sendo controladas as visitas às prisões para evitar a infecção entre os internos e aconselhou às grávidas, um dos grupos vulneráveis, que reforcem as medidas preventivas.

O ministro tranquilizou a população ao assinalar que as doses de remédios ainda são suficientes, que existe uma reserva de um milhão de doses, que vão chegar outras 400 mil e que há outras um milhão ainda pendentes.

Além disso, reiterou que o vírus, embora mortal, é curável caso tratado nas primeiras 48 horas.

A doença causada pelo vírus A/H1N1 se manifesta com o aumento repentino da temperatura corporal, tosse, coriza, intensas dores musculares e nas articulações, irritação nos olhos e dor de cabeça.

Além disso, as autoridades já contam com "dois laboratórios de biossegurança nível 3", requisito imposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para realizar os estudos virológicos.

"Um na capital, com 15 testes diários, e a partir de amanhã, 100 provas diárias, e outro em Veracruz", detalhou.

Outra das medidas que analisam as autoridades é adiar a campanha eleitoral para as eleições legislativas para o próximo dia 5 de julho, cujo início está previsto para 3 de maio.

"Isto tem que ser levado a sério. Não se está inventando nada, o vírus existe. O problema existe e estamos enfrentando", concluiu.

EFE rac/rr

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