Forte temporal em Brisbane causou dez mortes; autoridades pedem que moradores deixem locais de risco

Novos temporais que atingiram a região nordeste da Austrália na noite de segunda-feira deixaram pelo menos 78 desaparecidos, informaram autoridades nesta terça-feira. As enchentes também causaram dez mortes, elevando o total de vítimas para 20 desde novembro.

Os temporais desta segunda-feira foram os que causaram mais mortes desde que a crise começou. Segundo testemunhas, uma verdadeira parede de água ainda desce pelo vale do rio Lockyer, em Queensland, arrastando carros e casas.

Entre os desaparecidos há famílias inteiras, e tanto a Cruz Vermelha quanto as equipes de resgate não conseguem chegar a algumas das áreas mais devastadas nos arredores da cidade de Toowomba. A polícia disse que mais de 40 pessoas foram retiradas de helicópteros dos telhados de suas casas.

Os meteorologistas acreditam que as fortes chuvas continuarão nas próximas horas, enquanto autoridades estudam o impacto das inundações quando chegarem ao reservatório de Wivenhoe. Se chegar ao limite, a represa não poderá mais conter a água do rio Brisbane, que passa pelo centro da cidade de mesmo nome, a terceira maior da Austrália.

As autoridades pediram aos dois milhões de habitantes de Brisbane que fiquem em casa e evitem dirigir, e que os moradores de bairros baixos se desloquem para zonas mais altas.

Congestionamentos se formaram no centro de Brisbane, onde moradores estocaram alimentos e começaram a lotar albergues no centro e na vizinha cidade de Ipswich. O prefeito de Brisbane, Campbell Newman, disse que cerca de 6.500 imóveis devem ser inundados até quinta-feira. "A situação obviamente se deteriorou", disse Newman a jornalistas.

As inundações no Estado de Queensland chegaram a cobrir uma área equivalente à da França e Alemanha, causando danos estimados em US$ 6 bilhões. A exploração de carvão, o turismo e a agricultura foram muitos afetados.

Economistas preveem que as chuvas irão prejudicar o crescimento econômico australiano, além de provocar inflação. O Banco Central deve adiar de fevereiro para maio um aumento na taxa de juros.

A primeira-ministra Julia Gillard disse que a catástrofe não afetará a meta de retomada do superávit fiscal em 2012/13. Por outro lado, o Banco Nacional da Austrália disse que o crescimento do PIB será 0,25 ponto percentual menor neste trimestre e no anterior.

Com AP, Reuters e EFE

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