Novas detenções por ataques com seringas na região uigur

Pequim, 11 set (EFE).- As autoridades chinesas anunciaram novas detenções por supostos ataques com seringas na região ocidental chinesa de Xinjiang, onde os conflitos étnicos entre as etnias chinesa e uigur deixaram cerca de 200 mortos desde julho.

EFE |

Segundo informa hoje o jornal oficial "China Daily", a Polícia local deteve a outros nove suspeitos de haver atacado residentes na região, concretamente nas cidades de Hotan, Altay e Kashgar, de maioria uigur, uma etnia de língua turca e religião muçulmana que habita a região há séculos.

Seis dos suspeitos foram detidos em Hotan, segundo o birô de segurança pública local, apesar de que dos nove ataques denunciados nesta cidade só três puderam ser confirmados.

Em Altay se denunciaram cinco ataques com seringas, dos que "quatro eram falsos", e se deteve a dois suspeitos, segundo Ahlebeck, subdiretor do birô local de segurança pública.

A última detenção aconteceu em Kashgar, onde se denunciaram cinco ataques, "três deles falsos", segundo o Governo local.

As detenções se produzem depois que em Urumqi, capital da região, foram detidos quatro uigures que afrontam até pena de morte por supostos ataques com seringas, embora segundo informações os detidos são viciados em heroína, pelo que não está clara sua relação com forças terroristas, como defende o Governo chinês.

Apesar de que a maioria destes ataques acabam foi serem falsos segundo a Polícia, du Xintao, responsável do departamento de segurança regional, sustenta que "estão sendo orquestrados para provocar mais distúrbios" e são "atos de terrorismo".

A Polícia alertou sobre estes ataques aos residentes de Urumqi em agosto através de uma mensagem de texto, que produziu mais rumores e uma onda de centenas de denúncias de ataques com seringas supostamente perpetrados contra a população chinesa, embora os hospitais só pudessem confirmar alguns deles.

A região, na qual não se podem enviar mensagens de texto de celular entre residentes nem receber chamadas internacionais desde os distúrbios do 5 de julho, é terreno perfeito para os rumores.

Devido a isso, o novo rumor sobre os ataques com seringas produziu uma nova onda de protestos de chineses, que são já maioria em Urumqi devido à política de colonização que promovem as autoridades.

Durante estas maciças manifestações, que recomeçaram dia 2 de setembro, os chineses pediam a demissão do secretário do Partido Comunista (PCCh) na região, Wang Lequan, um suposto aliado do presidente Hu Jintao, por não garantir a segurança cidadã.

Os protestos vêm a somar-se ao que aconteceu no dia 5 de julho, quando uma manifestação uigur contra o linchamento e morte de membros de sua etnia terminou em violência e morreram 197 pessoas, em sua maioria han; dois dias depois, os chineses saíram à rua para vingar-se com o linchamento de uigures.

Segundo grupos uigures no exílio, as autoridades estão acobertando os linchamentos diários de membros de sua etnia.

Xinjiang, também conhecida como o Turquestão Oriental, esteve habitada por uigures e outras etnias centro-asiáticas desde o século III a.C, e alternou períodos de invasões, protetorados chineses e independência até que as tropas do PCCh entraram definitivamente na região em 1949 e promoveram uma política de colonização. EFE mz/fk

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