Nova tensão por captura de militares equatorianos na fronteira com a Colômbia

A captura de onze militares equatorianos na fronteira pelo Exército colombiano, entregues neste domingo aos seus superiores, evidencia a tensão entre Bogotá e Quito às vésperas da cúpula da Unasul sem a presença do mandatário colombiano, Alvaro Uribe.

AFP |

A Chancelaria colombiana anunciou neste domingo que um oficial, um suboficial e nove soldados do Exército do Equador foram capturados ao meio-dia de sábado em território colombiano, no fronteiriço departamento de Putumayo. No entanto, horas depois, a Colômbia entregou os militares e o Equador deu o incidente por superado.

"No dia de ontem, 8 de agosto de 2009, às 12 horas do dia (14h00 de Brasília), no local conhecido como La Reforma, município de Puerto Leguízamo, departamento de Putumayo, o Exército da Colômbia capturou um oficial, um suboficial e nove soldados pertencentes ao Exército equatoriano, a 300 metros da fronteira", indicou um comunicado.

"De acordo com os convênios vigentes, se procederá à entrega à autoridade militar equatoriana, o capitão Michael Cadena, chefe do pessoal do Batalhão de Selva 55, em Puente de San Miguel", acrescentou a chancelaria após declarar que os militares foram tratados "com o maior respeito".

Por volta do meio-dia deste domingo (14h00 de Brasília), os militares foram devolvidos para seus comandos no povoado fronteiriço de San Miguel, no mesmo departamento de Putumayo, segundo informou à AFP uma fonte das Forças Militares da Colômbia.

"Houve um processo normal de entrega e, conforme o estabelecido nos protocolos acolhidos por ambos os países, entregamos a seus respectivos comandos estes onze militares equatorianos em meio a um clima de normalidade", indicou a fonte.

Enquanto isso, em Quito, o ministro da Segurança, Miguel Carvajal, disse: "ocorreu um problema administrativo, e que as autoridades de ambos os países já conversaram e, até onde eu sei, o assunto está resolvido", ressaltou.

A notícia foi divulgada quase que de maneira simultânea em que o chanceler do Equador, Fander Falconí, advertia que o uso de bases militares colombianas por parte dos Estados Unidos é um fator de desestabilização que poderá desencadear uma corrida armamentista na região.

"Lamentavelmente temos divergências marcadas com a Colômbia. Enquanto nós tentamos construir uma zona de paz e integração, aqui está sendo gerado um convênio que implica um fator constante de preocupação, de alarme e de desestabilização regional", disse Falconí a um jornal equatoriano.

Neste domingo, os chanceleres dos países membros da Unasul preparavam em Quito a declaração que será assinada pelos mandatários e que abordará a crise mundial e a situação em Honduras, equanto tentam concretizar uma posição comum frente ao criticado pacto militar entre Colômbia e EUA.

O Equador mantém suspensas as suas relações diplomáticas com a Colômbia depois do ataque, em 1º de março de 2008, do Exército colombiano a um acampamento da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, onde foi morto o número dois desse grupo, Raúl Reyes.

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