Bogotá, 30 mar (EFE).- A retirada por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de uma de suas exigências para um diálogo com o Governo colombiano foi bem recebida hoje pelos familiares dos sequestrados e pelo grupo Colombianas e Colombianos pela Paz (CCP), mas não teve resposta do Poder Executivo do país.

"É uma notícia encorajadora, no sentido de que as Farc deixam de ser irredutíveis e almejam uma negociação direta e mais fácil", opinou Carlos Lozano, diretor da publicação colombiana "Voz" e membro do grupo CCP, liderado pela senadora Piedad Córdoba.

Já a presidente da Associação Colombiana de Familiares de Membros da Polícia Retidos e Libertados por Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz, em espanhol), Marleny Orjuela, disse à Agência Efe que isso é "importante e positivo" para o grupo.

Em um comunicado dirigido à CCP e divulgado no domingo, o Secretariado (comando central) das Farc expressa que está pronto "para a troca de prisioneiros de guerra e tem disposição em não fazer do lugar de diálogo um obstáculo não superável".

Até agora, as Farc tinham pedido a desmilitarização de um território do sudoeste da Colômbia como condição para negociar com o Governo do país um acordo de troca de militares e policiais sequestrados por guerrilheiros presos, algo sempre rejeitado pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.

O Executivo colombiano ainda não se pronunciou, embora Uribe tenha dito neste sábado que descartava a possibilidade de manter diálogos de paz com as Farc e anunciou "firmeza contra os terroristas".

Lozano, por sua vez, pediu que o Governo estude a proposta "com muita tranquilidade".

O membro do CCP disse à imprensa em Bogotá que os rebeldes pedem garantias para o deslocamento de seus representantes Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e Fabián Ramírez caso as negociações sejam concretizadas.

As Farc, que lançaram recentemente uma ofensiva por causa do primeiro aniversário da morte de seu líder, Pedro Antonio Marín, o "Tirofijo", a qual deixou mais de dez mortos, dizem que se trata de "garantias efetivas" em protocolos estipulados de comum acordo.

A guerrilha também afirma ser "necessário que, além do acompanhamento do CCP, também haja observação da comunidade internacional".

A mensagem das Farc não levou só esperança aos familiares dos reféns: também causou preocupação, pois a guerrilha diz que são 20 os policiais e militares sequestrados que pretende trocar por guerrilheiros presos em vez dos 22 que apareciam até agora nas listas.

As Farc mencionam tal número ao anunciar que se comprometem a enviar provas de vida dos reféns - alguns deles há mais de 11 anos em cativeiro - às suas famílias quando existirem "condições propícias" para tanto.

Orjuela disse confiar que se trata de um "equívoco" de quem redigiu o texto, o terceiro de resposta das Farc ao mesmo número de mensagens que receberam do CCP, formado por jornalistas, sindicalistas, políticos e intelectuais que em setembro de 2008 convidaram a guerrilha a trocar correspondências com eles.

Além de se declararem novamente dispostos à busca do acordo humanitário, os guerrilheiros dizem que entregarão os restos mortais de Julián Ernesto Guevara, major da Polícia morto em janeiro de 2006, após sete anos de cativeiro.

Ao mesmo tempo, as Farc reivindicam os restos de dois de seus mortos, os membros do Secretariado "Raúl Reyes", porta-voz internacional e segundo na linha de comando do da guerrilha, e "Ivan Ríos", cujos cadáveres foram entregues aos familiares que os reivindicaram então.

O primeiro foi morto durante um bombardeio colombiano em 1º de março de 2008 contra seu acampamento no Equador, enquanto que o segundo foi assassinado cinco dias depois por seu chefe de segurança no noroeste do país.

Há 25 anos, em 28 de março de 1984, as Farc e o Governo do então presidente colombiano, o conservador Belisario Betancur, assinaram os chamados Acordos de La Uribe.

A trégua incluída nestes acordos foi rompida pelos rebeldes um ano depois sob a justificativa de que os militares colombianos violaram os compromissos assumidos. EFE jgh/bba

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