Por Matthew Bigg e Tim Gaynor NOVA ORLEANS (Reuters) - Com rastelos e vassouras em punho, garis percorriam Nova Orleans na terça-feira para limpar as marcas deixadas na véspera pela passagem do furacão Gustav, enquanto as autoridades continuam de olho nas barragens e pediram a centenas de milhares de refugiados que permaneçam à distância.

Metade da cidade está sem luz, e a rede de esgotos foi danificada, mas as inundações já diminuíram, aliviando a pressão sobre as barragens de concreto e barro que se romperam na época do furacão Katrina (2005), inundando 80 por cento da cidade.

O presidente George W. Bush disse na terça-feira que as avaliações iniciais trazem 'sinais encorajadores' de que a tempestade não causou danos significativos para as operações de energia no golfo do México. A Casa Branca disse que Bush viajará na quarta-feira à Louisiana para avaliar os danos na região.

A Guarda Costeira informou que sobrevôos nas plataformas de gás e petróleo não indicam danos graves nem vazamentos de óleo.

As boas notícias levaram o preço do petróleo a menos de 106 dólares por barril, seu menor nível em cinco meses, uma queda de 9 dólares em relação à véspera. No fechamento do pregão na bolsa de Nova York, a commoditie era negociada a 109,71 dólares.

O Gustav perdeu força pouco antes de chegar à costa sul dos EUA, na segunda-feira, mas mesmo assim tinha ventos de 177 quilômetros por hora. As barragens de Nova Orleans entortaram, mas não caíram. A água que transbordou ou escapou por fissuras causou alguns centímetros de alagamento nas ruas próximas.

Cerca de 1,9 milhão de pessoas deixaram Nova Orleans antevendo uma repetição do Katrina, já que o Gustav se aproximava com ventos de até 240 quilômetros por hora. Apesar do conselho das autoridades para que a volta seja adiada, o Bairro Francês, coração de Nova Orleans, começou a voltar à vida na terça-feira.

'É bom estar de volta', disse Gerald Covey, dono de um bar, servindo café a uma clientela em que predominavam trabalhadores da limpeza urbana. 'Agora só precisamos de mais clientes.'

Estima-se que 1,4 milhão de casas ainda estejam sem energia, e o prefeito Ray Nagin disse que os hospitais estão capacitados apenas a prestar serviços emergenciais.

Embora tenha passado bem a oeste de Nova Orleans, atingindo a cidade apenas de raspão, o Gustav foi um bom teste para as obras de reconstrução das barragens depois do Katrina, que matou 1.500 pessoas no litoral dos EUA e causou prejuízos de 800 bilhões de dólares. O governador Bobby Jindal disse não haver 'danos estruturais' às barragens.

Os cerca de 10 mil moradores que haviam desafiado a orientação de partir saíram aliviados de suas casas, confirmando que só havia algumas árvores, postes de luz e sinais de trânsito derrubados.

Os imigrantes hispânicos, que foram essenciais na limpeza da cidade após o Katrina, também já estão trabalhando. 'Não sei se eles são legais ou ilegais, mas são os anjos, ponto', disse o aposentado Raymond Bankston, vendo um grupo de garis centro-americanos.

As autoridades disseram que seis pessoas morreram nos EUA por causa da tempestade, inclusive um casal cuja casa foi atingida por uma árvore em Baton Rouge. Antes, o furacão havia matado quase cem pessoas na República Dominicana, no Haiti e na Jamaica.

Três outras tempestades tropicais ainda ameaçam os EUA e o Caribe: Hanna, que está nas Bahamas, Ike e Josephine, que estão atravessando o Atlântico.

(Reportagem adicional de Chris Baltimore, Bruce Nichols, Jeremy Pelofsky e Erwin Seba, em Houston)

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