Nova ministra do Paraguai foi escrava quando criança

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, indicou uma mulher de origem indígena, que diz ter sido capturada na selva e vendida como escrava quando menina, para ser a ministra para Assuntos Indígenas do país. Esta é a primeira vez que um membro da comunidade indígena é indicado para cuidar das questões destes povos no Paraguai.

BBC Brasil |

Margarita Mbywangi prometeu proteger as comunidades, mas alguns de seus líderes manifestaram temores de que ela dê tratamento preferencial a sua própria tribo.

A eleição de Fernando Lugo, empossado na sexta-feira, pôs fim a mais de 60 anos de dominação do Partido Colorado, e em seu Ministério ele parece empenhado em demonstrar uma ruptura decisiva com o passado.

Mbywangi, de 46 anos, é uma chefe Ache com uma longa história de ativismo para defender os interesses de sua tribo.

Latifundiários
A nova ministra diz que aos quatro anos de idade foi capturada e vendida várias vezes como escrava para trabalhar para famílias de grandes latifundiários.

Mbywangi contou em entrevista à TV paraguaia que foi mandada para a escola para aprender a ler e a escrever, e agora estuda para conseguir um diploma do equivalente ao segundo grau.

Ela identifica como prioridades o direito indígenas a terra e a proteção das florestas.

Para um indígena, a floresta representa "sua mãe, sua vida, seu presente e seu futuro", afirmou.

Dados oficiais indicam que aproximadamente cem mil paraguaios pertencem às 400 comunidades indígenas do país e a língua guarani ainda é muito usada.

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