Nova manifestação no noroeste da China contra ataques com seringas

A polícia dispersou nesta sexta-feira com bombas de gás lacrimogêneo uma nova manifestação em Urumqi, a capital de Xinjiang (noroeste), informou a agência oficial Xinhua (Nova China).

AFP |

Segundo a agência, o protesto aconteceu no centro da cidade, que tem quase dois milhões de habitantes, e que em julho registrou graves confrontos entre os hans (maioria étnica na China) e os uigures (muçulmanos de língua turca), nos quais morreram 197 pessoas.

Quase 1.000 manifestantes hans enfrentaram a polícia na manhã de sexta-feira, antes da dispersão.

Alguns também pediam a demissão do número um do Partido Comunista na região autônoma, Wang Lequan, que está há 15 anos no poder e é um dos principais aliados do presidente Hu Jintao.

A polícia determinou uma amplo esquema de segurança nos bairros de Urumqi nesta sexta-feira, um dia depois dos protestos de milhares de hans, que exigiam mais proteção, após uma série de ataques misteriosos com seringas.

As autoridades anunciaram na quinta-feira a detenção de 21 pessoas vinculadas aos ataques.

Segundo divulgou a TV chinesa no início do semana, mais de 470 pessoas foram vítimas de agressões com seringas na região de Xinjiang desde 20 de agosto.

Segundo a Nova China, nenhuma das vítimas das picadas foi infectada por doença alguma. No entanto, as autoridades não sabem ainda o que as seringas contêm e fontes médicas afirmam que não há nada dentro delas.

Algumas vítimas interrogadas acreditam que os agressores usam seringas em seus ataques porque estas são mais fáceis de transportar do que pedaços de pau ou armas, num momento em que a segurança foi consideravelmente reforçada depois dos distúrbios de julho.

Xinjiang é uma região montanhosa e desértica do noroeste da China com quase 20 milhões de habitantes, dos quais 8,3 milhões são uigures, muçulmanos de língua turca, alguns acusados por Pequim de liderar uma luta separatista.

Mais de 3.000 km ao noroeste de Pequim, na antiga Rota da Seda, esta região de 1,66 milhão de quilômetros quadrados ocupa um sexto do território chinês.

Os moradores de Xinjiang englobam 47 etnias, incluindo os han, de origem chinesa, que passaram de representar apenas 6% da população a 40% com a política de desenvolvimento estimulada por Pequim desde os anos 1990.

Uma parte da província conheceu um breve período de autonomia sob o nome de Turquistão Oriental, entre 1930 e 1949.

As revoltas se intensificaram em 1990, depois da retirada das tropas soviéticas do Afeganistão e da independência das três repúblicas muçulmanas da antiga URSS. Em abril de 1990 explodiram distúrbios perto de Kashgar (oeste), que deixaram 22 mortos oficialmente, e pelo menos 60 segundo fontes ocidentais.

Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Pequim reforçou a repressão em nome da luta antiterrorista.

Com apoio americano, a China conseguiu fazer com que um movimento uigur - o Movimento Islâmico do Turquistão Oriental (ETIM) - fosse declarado pela ONU uma organização terrorista relacionada à Al-Qaeda.

Segundo Pequim, a região está ameaçada constantemente por terroristas que atuam à distância e do exterior, utilizando a internet.

bur-jg/fp/cn

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