Nova liderança da Otan se une a estratégia dos EUA no Afeganistão

Bruxelas, 20 dez (EFE).- A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) elegeu em 2009 um novo dirigente, o ex-primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, que entrou de cabeça na estratégia americana de aumentar a presença militar no Afeganistão para recuperar a iniciativa frente aos insurgentes.

EFE |

Escolhido como secretário-geral da Otan em abril e chegado ao cargo em agosto, após oito anos à frente do Governo dinamarquês, Rasmussen se envolveu desde o início no apoio à iniciativa dos Estados Unidos como principal trunfo para aumentar a segurança no Afeganistão.

Diante da evidência de que o presidente dos EUA, Barack Obama, iria anunciar o envio de mais 30 mil soldados ao Afeganistão durante 2010, o secretário-geral fez uma série de visitas e consultas prévias para garantir as contribuições militar de outros países - membros ou não da Otan - para a missão em território afegão.

Muitas dessas contribuições foram anunciadas poucos dias depois do discurso feito por Obama em 1º de dezembro. As últimas, especialmente as de Alemanha e França, só serão confirmadas depois da conferência internacional sobre o Afeganistão que será realizada em Londres no dia 28 de janeiro.

No total, espera-se que, fora os EUA, os demais países enviem aproximadamente dez mil soldados.

O objetivo dos chefes militares é fazer com que os 40 mil homens adicionais dos 44 países que fazem parte da Isaf, a força sob o comando da Otan no Afeganistão, consigam recuperar o poder nas regiões sul e leste do país, onde os insurgentes são mais ativos.

Além disso, há a intenção de melhorar a segurança nas grandes cidades e nos corredores que as comunicam, de modo a reativar a economia e dar à população a sensação de que está mais segura.

O aumento no número de integrantes do Exército e da Polícia do Afeganistão deve possibilitar que a segurança das regiões mais tranquilas do país passe para mãos afegãs já em 2010. O processo deve ganhar força em 2011, quando há a expectativa de iniciar a repatriação de alguns soldados de Isaf.

Tudo isso deverá vir junto com uma ação mais eficiente do Governo afegão, depois da pressão externa sobre o presidente do país, Hamid Karzai, para reduzir a corrupção e conseguir avanços sensíveis na situação social e econômica do país.

O sucesso da operação no Afeganistão é a prioridade da Otan, mas Rasmussen terá que liderar a organização em outros dois pontos-chave: o aprofundamento das relações com a Rússia e a elaboração do novo conceito estratégico aliado.

O secretário-geral da Otan fez nesta semana sua primeira visita oficial à Rússia para buscar a intensificação das relações com Moscou, cuja retomada formal foi oficializada na reunião ministerial do começo deste mês após o corte provocado pelo conflito da Geórgia, em agosto de 2008.

Embora as duas partes continuem mantendo sérias diferenças - como a oposição de Moscou à entrada de Ucrânia ou Geórgia na Otan -, a entidade confia em que as autoridades russas entendam a necessidade de intensificar a cooperação em questões-chave para a segurança comum, como terrorismo ou proliferação de armas de destruição em massa.

E quanto ao novo conceito estratégico, documento que define as tarefas e objetivos da Otan. O atual já tem dez anos e não corresponde às práticas da organização.

A previsão é de que o novo conceito seja aprovado na cúpula de chefes de Estado e Governo da Otan que será realizada em novembro de 2010 em Portugal. EFE rcf/bba

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