Nova legislatura espanhola começa marcada por crise econômica e debate no PP

María Luisa González Madri, 16 abr (EFE).- A nona legislatura da era democrática começou hoje na Espanha com o segundo mandato do presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, concentrado em atenuar os efeitos da desaceleração da economia e com uma oposição conservadora em intenso debate interno após a derrota nas eleições.

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Uma sessão solene no Congresso dos Deputados, presidida pelo rei Juan Carlos e acompanhado por membros da família real e do Governo, abriu o novo período de quatro anos, que se inicia em meio à instabilidade econômica mundial.

O monarca pediu aos parlamentares para trabalharem e chegarem a um consenso sobre as grandes "políticas de Estado", priorizando a luta contra o terrorismo e a situação econômica, sobre a qual disse que se deve reagir "com grandeza, diálogo, coesão e solidariedade".

O novo Governo tem pela frente o desafio de "continuar a modernização" da Espanha, segundo a primeira vice-presidente María Teresa Fernández de la Vega.

Seu desafio mais imediato, de acordo com Zapatero, será tentar reduzir o impacto dos efeitos das turbulências financeiras mundiais sobre a economia espanhola.

Hoje, o segundo vice-presidente do Governo e ministro da Economia e Fazenda, Pedro Solbes, reconheceu a desaceleração ao dizer que o crescimento do primeiro trimestre deste ano foi "bastante inferior" ao do mesmo período de 2007.

Em um fórum econômico, Solbes disse que o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) "cairá claramente" dos 3,5% registrados no último trimestre do ano passado, mas considerou que a recuperação começará no segundo trimestre de 2009.

No discurso de posse, Zapatero anunciou que o Governo adotará medidas urgentes para atenuar os efeitos da alta do petróleo e de alguns alimentos básicos na economia espanhola.

A construção, motor da economia espanhola nos últimos anos de grande crescimento neste setor, será destino de parte das medidas de urgência para tentar evitar a redução de postos de trabalho que pode afetar diretamente os imigrantes.

O chefe de Governo espanhol disse que também centrará seus esforços nesta legislatura para conseguir um acordo para elaborar uma estratégia conjunta frente à ETA com outras forças políticas, especialmente com o Partido Popular (PP, conservador), que, com 154 deputados, é o principal da oposição.

O PP fez deste tema o principal eixo de seu confronto com o Governo socialista na legislatura anterior, marcada por grandes discórdias, dureza de diálogo e irritação entre os dois principais partidos políticos.

O líder do PP, Mariano Rajoy, aceitou, a princípio, analisar com Zapatero as possibilidades de fechar eventuais acordos sobre os grandes assuntos de Estado, entre eles a luta contra a ETA.

Contudo, o dirigente conservador enfrenta resistências dentro de seu próprio partido, no qual sua segunda derrota nas eleições de 9 de março abriu um debate interno sobre sua liderança e a conveniência de apresentar outras opções no congresso do PP, em junho.

É o partido na comunidade autônoma de Madri que incentiva este debate interno e a presidente regional, Esperanza Aguirre, a aceitar o desafio.

No entanto, Aguirre desmentiu os boatos ao afirmar que já disse "50 vezes" que não planeja apresentar uma candidatura alternativa à de Rajoy.

Contudo, o porta-voz do PP na Assembléia de Madri, Antonio Beteta, declarou que "é bom conversar, discutir, estudar, aprofundar na ideologia e melhorar o que queremos oferecer ao conjunto da sociedade".

Para apresentar uma alternativa, Aguirre ou qualquer outro candidato precisa apresentar 600 assinaturas de membros do partido.

Um dos influentes "barões regionais" do PP, o presidente da Comunidade Valenciana, Francisco Camps, disse recentemente que Rajoy conta com apoio de todos.

Os presidentes regionais têm grande influência no PP.

O veterano dirigente conservador Manuel Fraga defendeu hoje que o 16º congresso do partido seja "de verdade". EFE mlg/wr/fal

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