Isabel Saco. Genebra, 14 dez (EFE).- A aparição de um novo vírus de gripe mobilizou este ano esforços globais após se transformar na primeira pandemia do século XXI, o que culminou com o rápido desenvolvimento e fabricação de uma vacina, embora as evidências indiquem que a gravidade da doença seja menor do que as autoridades mundias temiam no começo.

Detectada pela primeira vez no México, em abril passado, o vírus que semanas depois seria batizado como AH1N1 surgiu de uma combinação genética das variantes das gripes suína, aviária e humana, o que colocou em alerta a comunidade científica internacional, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Síndrome Respiratória Aguda Grave e posteriormente o salto da gripe aviária aos humanos tinham deixado para a OMS lições claras sobre a necessidade de preparar o mundo para epidemias que poderiam se transformar rapidamente em pandemias.

Para isso, o organismo mudou certas regulações sanitárias internacionais e mobilizou os países para que adaptassem seus sistemas de saúde para tal eventualidade, que chegou com a gripe A (como foi chamada para substituir a complicada nomenclatura de AH1N1).

Surgida no hemisfério sul - aparentemente muito perto de uma fazenda industrial de porcos -, esta gripe chegou à Europa em pleno verão e gerou um estado próximo ao pânico quando foram registradas as primeiras mortes, o que acabou acelerando a busca por uma vacina.

No Brasil, os primeiros casos surgiram em julho. Segundo o Ministério da Saúde, todas as regiões do país registraram a presença da doença, com uma taxa em 2009 de 14,5 casos para cada 100 mil habitantes.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, entre os 27.850 casos confirmados da Gripe A no Brasil até o momento, 1.632 (5,8%) evoluíram para óbito, com 827 (50,7%) mortes no Sudeste e 642 (39,3%) no Sul do país.

O pânico gerado pela doença fez com que os países ricos se apressassem para fazer seus pedidos de vacinas, assim como de oseltamivir, um antiviral que tinha sido utilizado nos doentes de gripe aviária e que se mostrou igualmente eficaz para as vítimas da nova gripe.

Algumas diferenças fundamentais explicavam o alarme da OMS e das autoridades nacionais: a gripe A afeta especialmente grupos de idade jovem, mulheres grávidas e pode ser muito agressivo com pessoas com doenças crônicas.

Por outro lado, a gripe estacional é virulenta nas pessoas de idade avançada e, segundo alguns estudos, este grupo parece em boa parte imunizado contra esta doença, porque as variantes que se encontram em sua composição genética estiveram presentes em outro vírus gripal que circulou há algumas décadas.

No entanto, nove meses após o registro dos primeiros casos de gripe A e seis depois da primeira declaração de pandemia, estudos indicariam que a taxa de mortalidade desta doença não é superior à da gripe estacional.

Segundo o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, esta gripe constituiria um "fato leve", com uma taxa de mortalidade de 0,018%.

Por enquanto, foram registradas 7.820 mortes no mundo por esta gripe (casos confirmados em laboratório), contra um estimado de 500.000 mortes anuais pela gripe estacional.

A OMS, no entanto, continua pedindo que os países sigam acompanhando de perto a doença, e lembrou que o vírus pode variar de sua forma atual a uma mais agressiva, como já ocorreu no passado, embora também não se descarte o caminho inverso, e o vírus mute para uma versão mais suave.

O certo é que já foram verificadas mutações em vários países, embora ainda se desconheça se essas mudanças são significativas, se podem influir no enfoque da luta contra esta infecção e, inclusive, se poderiam atrapalhar a eficácia da vacina desenvolvida.

Além disso, foram registrados diversos casos de vírus resistentes ao oseltamivir, mas neste caso a OMS disse que se trata de situações isoladas e que a resistência não se expandiu.

Por enquanto, 150 milhões de doses de vacinas foram distribuídas a cerca de 40 países, e em muitos deles as campanhas de vacinação já começaram, em meio a um certo ceticismo da opinião pública, que viu com desconfiança uma vacina desenvolvida com tanta rapidez.

No entanto, a OMS não se cansa de repetir que esta vacina é tão segura como a da gripe estacional, com efeito colaterais menores (dores musculares, febre de um ou dois dias, entre outros), e que este é o meio mais seguro de prevenir o contágio.

Mas levando em conta a capacidade de produção mundial e os pedidos dos países ricos, a prevenção a tal nível ainda terá de esperar nos países mais pobres. EFE is/mh

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