Redação Internacional, 8 abr (EFE).- Paleontólogos sul-africanos identificaram uma nova espécie de hominídeo que viveu há quase dois milhões de anos, o que traz luz a evolução da espécie humana e pode ser um elo entre o homem-macaco sul-africano (Australopithecus africanus) e os primeiros homens.

A descoberta, publicado hoje na revista científica Science, foi possível graças a dois esqueletos - de uma criança e de uma mulher - encontrados em 2008 em uma caverna da região sul-africana de Sterkfontein, a 40 quilômetros de Johanesburgo, declarada berço da humanidade pela grande quantidade de fósseis que abriga.

A nova espécie, batizada "Australopithecus sediba", "pode muito bem ser a pedra fundamental que nos permitirá compreender a origem do gênero Homo", declarou o paleontólogo Lee Berger, da universidade sul-africana de Witwatersrand.

Berger, autor do estudo, explicou que por sua morfologia os esqueletos compartilham características tanto com o Australopithecus africanus como com os primeiros membros do gênero Homo, em particular o Homo erectus e o Homo ergaster.

Ele ressaltou a grande importância da descoberta que tapa um vazio no tempo, já que os restos, de entre 1,78 e 1,95 milhões de anos, datam de um período em que quase não existem registros.

"Temos um bom registro fóssil dos hominídeos há mais de 2,1 milhões de anos, e satisfatório para 1,6 milhões de anos, mas a época entre 1,8 e 1,9 milhões de anos era realmente um buraco negro", assinalou.

Os esqueletos revelam um cérebro muito pequeno e braços muito longos, próprios dos australopitecos, mas também um rosto muito avançado, com um nariz e dentes pequenos, um quadril para caminhar erguido, pernas longas e uma cavidade craniana similar à de hominídeos muito posteriores como o Homo erectus e o Homo habilis, acrescentou.

Segundo Berger, estamos perante uma nova espécie porque "nunca vimos esta combinação de traços em nenhum hominídeo".

O Australopithecus sediba tinha uma estrutura óssea similar à das primeiras espécies de Homo, mas a empregava melhor como um Australopithecus. A ossada mais famosa da linhagem é "Lucy", encontrada na Etiópia em 1974 e que viveu um milhão de anos antes, assinala o estudo.

Isto indica que a transição dos primeiros hominídeos, que viviam em árvores, para o gênero Homo plenamente bípede ocorreu em períodos lentos e que primeiro emergiram várias espécies similares à do Homo.

"Estes fósseis nos permitem vislumbrar um novo capítulo da evolução humana em um período crítico, quando os hominídeos mudaram sua dependência da vida nas árvores pela vida sobre a terra", disse Berger.

A nova espécie, cujo nome significa "fonte" no idioma sul-africano seSotho, compartilha mais traços com os primeiros Homo que qualquer outro australopiteco e por isso pode ser sua antecessora ou ser parente de um antecessor que coexistiu durante um tempo com o Homo.

Os dois esqueletos foram encontrados um ao lado do outro em um bom estado de conservação em depósitos de sedimentos da caverna de Malapa, para onde foram arrastados por um desmoronamento, o que indica que sua morte aconteceu pouco antes pela mesma causa, assinala em outro estudo na Science o geólogo australiano Paul Dirks.

Segundo o cientista, o ambiente em Australopithecus sediba viveu era muito similar ao de hoje, com planícies verdes e vales com floretas, embora os rios fluíssem em direções distintas e a paisagem estivesse em transformação.

Os pesquisadores, que identificaram também na caverna os fósseis de 25 espécies de animais, entre eles gatos dente de sabre, antílopes, uma hiena, um gato selvagem e um cavalo, suspeitam que o lugar, que tinha dezenas de metros de profundeza, foi uma armadilha mortal para animais em busca de água. EFE ik/pb

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