Uma nova constituição entrou em vigor no Kosovo neste domingo transferindo o poder para a maioria étnica albanesa após nove anos de administração das Nações Unidas. A carta entrou em vigor quatro meses depois de o Kosovo declarar sua independência da Sérvia, uma medida que foi apoiada por vários países ocidentais, mas sofreu oposição da Rússia e da Sérvia.

A Rússia bloqueou a entrega formal do poder das Nações Unidas para o povo do Kosovo. Já a Sérvia afirma que a constituição não é válida para o norte do Kosovo, região dominada por sérvios. "A Sérvia não aceita a proclamação da constituição do Kosovo como um fato legal", diz o presidente sérvio, Boris Tadic, em Belgrado.

Tensão

O ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic, é esperado na cidade dividida de Mitrovica, onde ele deve anunciar o estabelecimento de um parlamento sérvio no Kosovo, apenas com representantes sérvios.

O clima é tenso em Mitrovica, onde um atirador disparou contra uma delegacia de polícia no sábado. Pela nova constituição, que entrou em vigor à meia-noite de domingo, o governo do Kosovo assume a maior parte do poder que estava na mão da ONU até agora.

Uma missão de 2,2 mil soldados da União Européia está sendo enviada para supervisionar a região.

Na quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, anunciou planos para ceder as funções da ONU no Kosovo para a União Européia, apesar de oposição da Rússia. "Minha intenção é reconfigurar a estrutura e o perfil da presença internacional civil para uma (estrutura) que permita à União Européia assumir um papel operacional avançado no Kosovo", disse ele.

A Sérvia disse que Ban Ki-Moon não teria autoridade para reconfigurar o papel da ONU no Kosovo. Segundo o correspondente da BBC na capital kosovar Prístina Nick Thorpe, ainda há muita confusão sobre quem exatamente vai exercer o poder local no Kosovo.

Uma cerimônia discreta e simples é esperada para a noite deste domingo, com alguns integrantes do governo. Segundo o correspondente da BBC, os líderes de origem albanesa não querem provocar a minoria sérvia.

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