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Nova Carta criará tensões , admite vice-presidente da Bolívia

O vice-presidente de Bolívia, Álvaro García Linera, admitiu que poderia haver tensões e problemas na aplicação da nova Constituição que será submetida a plebiscito no domingo. Em entrevista à BBC Mundo, García Linera disse: Em todas as partes do mundo a derrubada dos mecanismos e das hierarquias coloniais e racistas traz dificuldades, porque é necessário romper o hábito de considerar o outro como um serviçal ou como inferior.

BBC Brasil |

"Seguramente haverá tensões, mas são tensões na aplicação de um princípio de igualdade. Haverá problemas, mas a imensa maioria do país está de acordo no que tem que mudar."
Domingo os bolivianos votarão o projeto de Constituição apoiado pelo governo.

O documento permite a reeleição do presidente, dá mais poder à maioria indígena, define uma série de autonomias étnicas e regionais, consagra a nacionalização dos recursos naturais e promove a reforma agrária.

Os Estados ricos do leste da Bolívia rejeitam a proposta porque dizem que ela lança as bases para que o presidente do país, Evo Morales, se perpetue no poder, permite ao Estado uma interferência demasiada na economia e não lhes dá o grau de autonomia que reivindicam.

Por decreto?
Se a Carta é aprovada por metade mais um dos votos no domingo, deverá ser regulamentada pelo Parlamento.

Mais de uma centena de leis terão que ser analisadas pelos parlamentares para colocar em prática a Constituição - algo que, segundo as próprias autoridades, não será simples pois o Senado é controlado pela oposição.

Ciente dos obstáculos que o projeto poderá enfrentar, o presidente Morales advertiu recentemente que poderia apelar para decretos supremos para implementar a nova Constituição se os legisladores da oposição boicotarem sua regulamentação no Parlamento.

García Linera mostrou-se cauteloso e disse à BBC Mundo que está confiante de que as divergências podem ser resolvidas sem a necessidade de medidas extraordinárias: "Creio que temos força social suficiente e vontade política para resolver, através de mecanismos democráticos, as dificuldades que possam surgir."
Reeleição
Quanto à possibilidade de que o presidente seja reeleito para um mandato de mais cinco anos, García Linera negou as acusações da oposição, que diz que Morales está usando a Constituição para se perpetuar no poder.

"Acreditamos que cinco anos de mandato não são suficientes para concluir totalmente os projetos estruturais de transformação. Há momentos históricos em que talvez seja necessária uma maior liderança política para concluir a obra", explicou.

"Em outros países a possibilidade de uma reeleição está presente nas normas constitucionais. Por isso, não a consideramos um desatino."
"De todos modos, nada está definido. Será o povo que vai decidir se quer que este presidente tenha um novo mandato."
Polarização
Muitos analistas temem que o referendo constitucional não resolva a polarização que existe na Bolívia entre o oeste pobre de indígenas e agricultores, e o leste rico de brancos e mestiços.

Mas García Linera disse que a divisão entre os bolivianos está se dissolvendo.

"A polarização se diluiu desde que se incorporou o tema das autonomias na Carta. Deste modo, a proposta oficial absorveu o núcleo popular do projeto opositor", afirmou o vice-presidente.

"Os líderes do leste perderam a sua bandeira de mobilização e se tornaram meros chefes regionais com queixas locais, sem alcance nacional."
García Linera disse, contudo, que isto "não significa que acabou o conflito" na Bolívia. "Possivelmente a direita seguirá exigindo mais autonomia e menor presença do Estado na economia", afirmou.

O caminho para esta proposta de Constituição foi marcado por confrontos e violência.

Os confrontos mais graves ocorreram em setembro de 2008 no Departamento (Estado) de Pando, onde 13 pessoas morreram - a maioria, agricultores - durante choques entre grupos pró e contra o presidente Morales.

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