Nova avaliação psiquiátrica diz que extremista norueguês não é insano

Segundo relatório sobre Anders Behring Breivik contradiz o primeiro e pode ser decisivo em julgamento da próxima semana

iG São Paulo |

O extremista norueguês Anders Behring Breivik , que assumiu um duplo ataque que deixou 77 mortos no ano passado, não é insano, de acordo com uma nova avaliação psiquiátrica divulgada nesta terça-feira. O primeiro exame tinha determinado que Breivik é insano e estava psicótico quando cometeu o atentado.

As duas avaliações serão levadas em consideração durante o julgamento de Breivik, que começará na próxima segunda-feira. O novo relatório pode fazer com que, se condenado, o extremista seja enviado a uma prisão e não a uma instituição psiquiátrica – o que aconteceria se ele fosse considerado insano.

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AP
Anders Behring Breivik é visto durante audiência em Oslo (06/02)

A Justiça da Noruega não divulgou detalhes sobre o novo relatório, assinado pelos psiquiatras Terje Toerrissen e Agnar Aspa. Os motivos de divergência entre as duas avaliações serão explicados no tribunal.

Na semana passada, Breivik contestou a avaliação médica que o considerou insano e disse que ser enviado a uma instituição psiquiátrica seria “ pior que a morte ”. “Devo admitir que esta é a pior coisa que poderia acontecer comigo, a maior humilhação”, afirmou, em carta de 38 páginas escrita na prisão e enviada à meios de comunicação noruegueses. “Enviar um ativista político a um hospital psiquiátrico é mais sádico e perverso do que matá-lo. É um destino pior que a morte.”

Na carta, Breivik acusou os psiquiatras Torgeir Husby e Synne Soerheim, responsáveis pelo primeiro diagnóstico, de inventar “90% do conteúdo” das 13 reuniões que tiveram com ele.

"Husby disse em várias ocasiões que o que eu tinha feito era demoníaco e tenho a impressão de que ele me viu como um animal selvagem que tinha de ser preso e drogado a qualquer custo”, escreveu o extremista.

"Um evento que traumatizou a nação também traumatizou Husby e Soerheim a tal ponto que eles devem ser considerados como tendo um conflito de interesses? Pode ser que dois psiquiatras designados pelo tribunal que ficaram tão emocionalmente afetados pelo 22 de julho não sejam capazes de ser objetivos?", questionou.

O advogado de Breivik disse que iria convocar testemunhas de defesa para mostrar que seu cliente não é criminalmente insano. Entre essas testemunhas estão Mullah Krekar, fundador curdo do grupo islâmico Ansar al-Islam, que recentemente foi preso na Noruega por fazer ameaças de morte, e "Fjordman", um blogueiro norueguês de direita, que teve grande influência intelectual sobre Breivik, segundo a polícia. Fjordman, cujo nome verdadeiro é Peder Jensen, negou ter qualquer ligação com o extremista.

Breivik foi indiciado em 7 de março sob o parágrafo da legislação antiterror da Noruega que se refere a atos de violência com o intuito de atingir instituições do governo ou semear medo entre a população.

Apesar de ter reivindicado a autoria do crime, Breivik rejeita a responsabilidade penal pelo massacre, afirmando que ele era "necessário" para salvar a Noruega e a Europa dos muçulmanos e do multiculturalismo.

Com AP e Reuters

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