Nova apuração consolida vantagem de Karzai em eleições afegãs

CABUL - O presidente afegão, Hamid Karzai, conseguiu, nesta quarta-feira, obter vantagem após uma nova apuração parcial dos votos do pleito de 20 de agosto, em um dia no qual os talebans voltaram a realizar um atentado suicida, causando a morte de 23 pessoas, entre elas a do número dois dos serviços secretos, Abdullah Laghmani.

EFE |


Quando 60,34% das urnas já haviam sido apuradas, Karzai estava com 47,3% dos votos, percentual baixo para quem quer a maioria absoluta e, assim, evitar um segundo turno.

Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira pela comissão eleitoral afegã, o atual presidente foi eleito com 1.744.238 dos votos válidos, frente aos 1.201.838 (32,6%) de seu principal rival, Abdullah Abdullah, e os 426.331 (11,6%) de Ramazan Bashardost.

O órgão eleitoral informou que por enquanto estão contabilizados 3.689.715 votos válidos.

Assim, Karzai conseguiu aumentar ligeiramente sua vantagem, depois que passou a ter 45,9% dos votos com a apuração finalizada em quase a metade dos centros de votação.

Os dados oferecidos pela comissão eleitoral em seu site por províncias mostram que, como estava previsto, Karzai está com maior apoio popular na região do sudeste afegão, onde predomina a etnia pashtun - à qual pertence -, e Abdullah vai melhor em regiões com maior presença tajique.

AFP

Abdullah Abdullah, candidato mais importante depois de
Karzai concorrendo à presidência do Afeganistão

As estatísticas também revelam que a contagem está avançando mais rapidamente no norte do que no conflituoso sul afegão, onde a participação eleitoral foi baixa.

Em comunicado, a Comissão de Queixas Eleitorais (CQE), órgão independente da comissão eleitoral afegã que tem o apoio das Nações Unidas, disse nesta quarta ter recebido 2.654 denúncias de irregularidades desde que se iniciou a campanha eleitoral.

No caso de confirmação de fraudes, 652 delas seriam suficientes para interferir nos resultados finais, cujos números definitivos não saem antes de meados de setembro.

Durante as últimas semanas, marcadas pelo processo eleitoral, os talebans protagonizaram numerosos ataques contra as forças de segurança afegãs e às tropas internacionais.

O atentado ocorreu em Metarlam, capital da província oriental de Laghman, cidade vizinha com a região de Cabul, onde fica a capital afegã.

Consultado pela Agência Efe, o porta-voz provincial, Sayed Ahmad Safi, classificou o número de 22 mortes como baixo, e acrescentou que cerca de 50 pessoas ficaram feridas.

Um porta-voz taleban, Zabiullah Mujahid, reivindicou o atentado e explicou à Efe por telefone que um dos insurgentes detonou a carga explosiva que carregava quando o "número dois" da inteligência afegã e diversos acompanhantes deixavam uma mesquita em Metarlam.

Os insurgentes atacaram durante a campanha eleitoral, que tentaram boicotar, vários pontos do território afegão, inclusive Cabul.

Este ano é o mais sangrento para as tropas estrangeiras que estão no Afeganistão.

Reuters

Pessoas observam local onde ataque suicida deixou 23 mortos

O chefe das forças internacionais no país, o general americano Stanley McChrystal, encerrou no final de agosto uma análise da situação militar no Afeganistão, que já está em mãos do Pentágono e da Secretaria-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Embora o relatório não tenha sido entregue à imprensa, McChrystal classificou como "séria" a situação do Afeganistão e ressaltou a necessidade de revisar a estratégia para debilitar os talebans e a rede terrorista Al-Qaeda.

Outro dos ângulos do conflito afegão, ligado ao plano militar e com grandes consequências na população, foi abordado nesta quarta-feira pelo Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC): a produção de ópio.

Em seu novo relatório, a UNODC destacou que a produção desta droga, fonte de financiamento dos rebeldes, caiu 10% em 2009, mas alertou que ainda há reservas de ópio de até 10 mil toneladas.

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