Nova aliança política no Iraque para eleições deixa Maliki de fora

Bagdá, 24 ago (EFE).- Vários líderes políticos iraquianos anunciaram hoje a criação de uma grande coalizão para as eleições parlamentares no Iraque em janeiro do próximo ano, mas, por enquanto, ficou excluído o grupo do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

EFE |

A nova formação - a Aliança Nacional Iraquiana - é herdeira da Aliança Unida Iraquiana, coalizão que venceu as eleições parlamentares de 2005 e na qual um de seus integrantes era o partido Dawa, de Maliki.

"Esta coalizão busca ganhar as eleições parlamentares e estabelecer um Governo forte e permanente", disse Adel Abdel Mahdi, um dos dois vice-presidentes iraquianos, na cerimônia de criação da coalizão.

Se na coalizão antecessora os grupos integrantes eram xiitas, a aliança anunciada hoje tem representação de dirigentes de pequenos grupos sunitas, e a ideia é ampliar o convite a partidos curdos.

"As bases desta coalizão são não confessionais", disse Ibrahim al-Jaafari, ex-primeiro-ministro e antigo companheiro de Maliki no partido Dawa, do qual foi expulso em maio de 2008 e que formou um novo grupo, o Movimento Nacional para a Reforma.

Um dos pilares da nova aliança, assim como na anterior, é o Conselho Supremo Iraquiano, próximo ao Irã e liderado por Abdel Aziz al-Hakim, que não esteve presente no ato de hoje por motivos de saúde.

Mahdi, também "número dois" do Conselho Supremo Iraquiano, qualificou como "crítico" o estado de saúde de Hakim, que tem câncer de pulmão e está hospitalizado em Teerã.

Entre os membros da nova coalizão, estão os simpatizantes do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, o maior crítico à ocupação militar americana no Iraque e que fazia parte, até abril do ano passado, da anterior aliança governante.

Também está presente o Congresso Nacional Iraquiano, dirigido por Ahmed al-Chalabi, e representantes do Conselho de Salvação (milícias sunitas) da província de Al Anbar, lideradas por Hamid Hayes.

"A nova coalizão busca a soberania e a unidade do país, a separação de poderes, a independência judicial, a luta contra o terrorismo e a alternância no poder", afirmou Jaafari, ao delinear os princípios básicos da aliança recém-formada.

O próprio Jaafari foi eleito líder da nova coalizão. O líder máximo da aliança anterior era Hakim.

Segundo Jaafari, a intenção é que a Aliança Nacional Iraquiana conte também com os dois principais grupos políticos curdos: o Partido Democrático do Curdistão, de Masoud Barzani, atual presidente curdo; e a União Patriótica do Curdistão, partido do presidente iraquiano, Jalal Talabani.

No entanto, a grande ausência, por enquanto, é a do grupo de Maliki, presença que não foi descartada totalmente e cujo predomínio no cenário política iraquiano começa a ser visto com receio.

Não está muito clara a posição de Maliki sobre a criação desta aliança e se existe a possibilidade de que ele possa se juntar à mesma no futuro.

Fontes políticas xiitas próximas ao partido Dawa disseram à Agência Efe que Maliki tinha rejeitado o convite para se juntar à nova coalizão porque tentou, sem sucesso, que seu grupo tivesse maioria, a fim de garantir sua candidatura como primeiro-ministro nas próximas eleições.

No entanto, Hamman Hamudi, do Conselho Supremo Iraquiano, disse que Maliki tinha prometido "abençoar a nova coalizão", embora não tenha ido à cerimônia de hoje.

"Esperávamos que todos que contribuíram para formar a Aliança Unida Iraquiana se unissem a esta reunião (...), mas a porta continuará aberta para todos", afirmou Jaafari, em aparente referência a Maliki.

Segundo analistas políticos, Maliki está acumulando poder no Iraque, especialmente após as eleições provinciais de janeiro, nas quais venceu a lista que liderava, o que gerou receios de seus companheiros da aliança governante.

Para o analista Hadi Ali, Maliki pode chegar a acreditar que a nova aliança "só mudou de nome" a respeito da coalizão anterior, "mas ainda possui algumas orientações sectárias, e não patrióticas".

Segundo Ali, estas posturas antecipam que, nos próximos meses, pode haver sérias divergências entre os xiitas conforme se aproxime a data das próximas eleições e a distribuição de cargos nos futuros Governo e Parlamento. EFE am-nq-ag/an

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