Nos EUA, Netanyahu diz que tempo está se esgotando para o Irã

Perante lobby pró-Israel, premiê israelense diz que país 'não pode esperar muito mais' diante de ameaça nuclar iraniana

iG São Paulo |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira que o tempo do Irã está se esgotando e que Israel tem o direito de se defender da ameaça nuclear representada pelo país persa. As declarações foram feitas diante do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac, na sigla em inglês), um poderoso grupo de lobby pró-Israel, horas depois de ter se encontrado com o presidente americano , Barack Obama, na Casa Branca.

“Israel esperou a diplomacia funcionar, esperou as sanções funcionarem. Nenhum de nós pode esperar muito mais. Como premiê, jamais deixarei meu povo viver à sombra da aniquilação”, afirmou Netanyahu, em meio às discussões sobre um ataque contra o Irã para impedir o avanço de seu programa nuclear, ideia que os EUA consideram prematura.

Leia também: Em reunião com Obama, Netanyahu defende soberania de Israel sobre Irã

AP
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, faz discurso para grupo de lobby pró-Israel em Washington, nos EUA (05/03)

Durante o discurso para mais de 13 mil pessoas, Netanyahu foi aplaudido de pé várias vezes. “Temos um Estado próprio e o propósito do Estado judeu é defender as vidas dos judeus e garantir o futuro dos judeus”, afirmou.

O premiê israelense disse que "todas as opções" estão na mesa para lidar com o Irã, menos deixar que o país persa desenvolva seu programa nuclear sem monitoração. "O Estado judeu não vai permitir que aqueles que buscam nossa destruição tenham os meios para chegar a esse objetivo", afirmou.

Durante o encontro na Casa Branca, Netanyahu e Obama tentaram demonstrar união para lidar com a ameaça nuclear iraniana, embora as diferenças entre eles também tenham ficado claras.

"Israel deve continuar sendo mestre de seu próprio destino. Temos de ser capazes de nos defender, sozinhos, de qualquer ameaça", afirmou Netanyahu ao lado de Obama, durante breve aparição diante da imprensa antes de uma reunião privada.

O presidente americano disse que EUA e Israel acreditam que a diplomacia é a melhor forma de resolver a crise nuclear. “Tanto eu quanto o primeiro-ministro queremos resolver isso diplomaticamente”, afirmou Obama, acrescentando que vai considerar todas as opções para confrontar o Irã e impedi-lo de fabricar uma bomba atômica.

“Impedir que o Irã tenha uma arma nuclear é de total interesse dos EUA”, afirmou Obama. “Não queremos uma corrida nuclear em uma das regiões mais voláteis do mundo. Não queremos a possibilidade de uma arma atômica nas mãos de terroristas. Não queremos que um regime que patrocina terroristas se sinta capaz de agir com mais agressivamente.”

De acordo com analistas, enquanto Israel gostaria de ter mais clareza sobre o compromisso dos EUA em se envolver no caso de uma eventual ação militar iminente, Obama tem interesse em apoiar o governo israelense, mas prefere esperar mais tempo para que as novas sanções econômicas contra o país persa mostrem resultado.

Essa diferença de raciocínio ficou clara no domingo, quando o presidente americano reiterou que não hesitaria em atacar o Irã, mas com a ressalva de que a recente " conversa fiada de guerra " apenas serviu aos interesses do país persa e para aumentar o preço do petróleo.

"Pela segurança de Israel, dos EUA e pela paz e segurança do mundo, agora não é o tempo de tumulto", disse Obama a milhares na conferência política anual do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac, na sigla em inglês).

"Agora é o momento de deixar nosso aumento de pressão fazer efeito e sustentar a ampla coalizão internacional que construímos", disse em referência às sanções econômicas impostas contra Teerã.

Com AP e BBC

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