Nos EUA, gestos e palavras podem definir um debate presidencial

Macarena Vidal. Washington, 27 set (EFE).- Os debates presidenciais nos Estados Unidos podem beneficiar um candidato ou condená-lo à derrota, em uma repercussão entre eleitores que pode depender de fatores tão simples como um gesto ou uma resposta mais ríspida.

EFE |

Um debate é, em muitos sentidos, muito parecido a uma peça de teatro. Há um palco e, geralmente, uma platéia. A iluminação, o som e o texto são estudados cuidadosamente e são motivo de negociações às vezes duríssimas entre as campanhas, que buscam que seu candidato brilhe o máximo possível.

Na ocasião, aparentemente, a campanha republicana pediu, por exemplo, que os candidatos John McCain e Barack Obama ficassem de pé e não sentados em uma mesa, para que McCain, de 72 anos, não desse a impressão de estar cansado.

Os candidatos à Presidência ensaiam durante semanas e praticam suas respostas com ajuda de um roteiro, um livro com centenas de páginas preparado por seus assessores no qual são compiladas as perguntas e eventuais respostas adequadas que possam ir à tona no debate.

Cada candidato tem seu estilo para preparar os debates. Alguns optam por estudar o roteiro. Outros, como Ronald Reagan, como ator profissional, preferia praticar com outras pessoas.

Na verdade, os candidatos são um pouco atores, já que qualquer gesto ou palavra a mais ou a menos em uma campanha eleitoral pode ter conseqüências imprevisíveis, o que em um debate ganha proporções ainda maiores.

George Bush, pai do atual presidente americano, por exemplo, viu sua situação nas eleições de 1992 se complicarem por um gesto aparentemente inofensivo.

No debate naquele ano, ele olhou o relógio dando a impressão que tinha vontade de ir embora. Nesse ano, Bill Clinton acabou por derrotá-lo nas eleições.

É possível também que Al Gore deva em parte sua derrota não só a um alguns votos na Flórida, mas à série de suspiros e gestos excessivos emitidos durante um debate com George W. Bush, hoje presidente americano.

No primeiro debate televisionado, em 1960, Richard Nixon, apareceu com olheiras e um pouco de barba, enquanto seu adversário, John F. Kennedy, chegou com boa aparência e relaxado. Kennedy ganhou o pleito na ocasião.

Em outras situações, não foi o gesto, mas a palavra que levou um determinado candidato ou outro à vitória.

Gerald Ford cometeu o que talvez tenha sido a pior gafe em um debate, ao assegurar em 1976, em plena Guerra Fria, que não havia "dominação soviética no leste europeu".

A inconveniência do que disse foi tão grande que o moderador perguntou se ele não tinha se confundido, mas o presidente, que chegou à Casa Branca após a renúncia de Nixon, não se retratou.

Isso alimentou a percepção de que Ford, o único presidente dos EUA que não ganhou seu posto nas urnas, não tinha o intelecto necessário para o cargo.

Se Ford perdeu um debate por suas palavras, Reagan ganhou outro pelas suas.

Após ter dado uma impressão ruim no primeiro debate de sua série contra Walter Mondale, que alimentou a preocupação sobre sua avançada idade (73 anos), no segundo acabou se recuperando com uma piada.

Os candidatos à Vice-Presidência também tiveram seus momentos de glória ou infâmia nos debates.

Uma das réplicas mais famosas foi a de Lloyd Bentsen, então número dois de Michael Dukakis em 1988, à afirmação do republicano Dan Quayle de que já estava há tanto tempo no Senado quanto John Kennedy quando foi eleito presidente.

"Senador, eu trabalhei com Jack Kennedy. Conheci Jack Kennedy.

Jack Kennedy era amigo meu. Senador, o senhor não é Jack Kennedy", respondeu Bentsen.

Mas talvez o mais sincero tenha sido James Stockdale, o companheiro de legenda do candidato independente Ross Perot em 1992, que só havia tido uma semana para preparar seu debate. "Quem sou? O que estou fazendo aqui?", brincou. EFE mv/rr

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