Noruega nomeia comissão para investigar ataques que mataram 77

Resposta da polícia, considerada lenta em 22 de julho, será alvo do inquérito; comissão tem um ano para elaborar relatório

iG São Paulo |

Reuters
Premiê norueguês Jens Stoltenberg concede entrevista coletiva em Oslo em 27 de julho
A Noruega apontou uma comissão de nove pessoas nesta sexta-feira para investigar o ataque duplo que deixou 77 mortos no mês passado. A jurista Alexandra Bech Gjoerv será a encarregada de dirigir a comissão, anunciou nesta sexta-feira o governo norueguês.

A resposta da polícia, considerada lenta, também será alvo do inquérito. "O mandato da comissão 22 de julho é detalhar todos os fatos relevantes sobre o que aconteceu, de forma simples e honesta", disse o primeiro-ministro Jens Stoltenberg.

O mandato e a composição da comissão, cuja criação tinha sido anunciada por Stoltenberg em 27 de julho , contam com o apoio dos outros dois grupos da coalizão de governo - o Partido do Centro e o Partido Socialista de Esquerda -, assim como de liberais, democrata-cristãos e conservadores. O ultranacionalista Partido do Progresso, segunda força parlamentar, pediu um tempo para decidir se apoia a iniciativa, revelou Soltenberg, que agradeceu o apoio dos outros grupos da oposição.

A intenção inicial do governo era colocar à frente da comissão o magistrado do Tribunal Supremo Aage Thor Falkanger, mas a oposição o convenceu a escolher outra pessoa por medo de uma questão de incompatibilidade caso o processo penal contra o fundamentalista cristão e ultradireitista Anders Behring Breivik , autor do massacre, chegue ao Supremo.

Desde a explosão de um carro-bomba em Oslo e o ataque a tiros em 22 de julho, cometidos pelo radical de extrema direita , críticos vêm questionando a velocidade e a competência da reposta emergencial. (Cronologia detalha erros da polícia enquanto extremista lançava ataques na Noruega)

"Para seguir adiante como uma nação precisamos assegurar que saibamos tudo sobre os eventos de 22 de julho", afirmou Stoltenberg, que estabeleceu prazo de um ano para a comissão lhe enviar um relatório final. Ou seja, o resultado deve ser entregue ao premiê em 10 de agosto de 2012.

Breivik, de 32 anos, admitiu ter detonado uma bomba no principal prédio do governo da Noruega e ter atirado contra pessoas em um acampamento de jovens do Partido Trabalhista em uma ilha, no que ele considerou um ataque contra o multiculturalismo.

A escolha do Partido Trabalhista como alvo teve como motivo o fato de ser um símbolo da aceitação europeia de imigrantes muçulmanos, de acordo com o advogado do atirador.

Críticos disseram à mídia local que a equipe armada especial de resposta a crises de Oslo não teve acesso rápido a um helicóptero. Alguns observadores também questionaram por que policiais na vizinha Hoenofoss optaram por esperar pela equipe de Oslo - a cerca de 45 quilômetros de distância de carro - em vez de seguir imediatamente de barco para a ilha.

A polícia admitiu à Reuters que, quando eles partiram no barco policial, a embarcação ficou parada na água porque estava cheia demais, forçando a utilização de embarcações particulares para completar a travessia.

Eles também reconheceram que os primeiros policiais a agirem não escolheram a travessia mais curta disponível. Demorou uma hora entre o momento em que a polícia recebeu os primeiros relatos das mortes e a prisão de Breivik na ilha de Utoya.

*Reuters e EFE

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