Noruega faz um minuto de silêncio por vítimas de massacre

Ato paralisou centro da capital escandinava horas antes de acusado por ataque comparecer à audiência

iG São Paulo |

AP
Ao lado de suas filhas, mulher faz um minuto de silêncio na ilha de Utoya, na Noruega
A população da Noruega fez um minuto de silêncio ao meio-dia desta segunda-feira (7h no horário de Brasília) em homenagem às 93 vítimas de um duplo atentado que deixou o país em choque na sexta-feira.

O ato paralisou o centro da capital escandinava e foi liderado pela família real norueguesa e o primeiro-ministro do país, o trabalhista Jens Stoltenberg, em uma solenidade em frente ao prédio central da Universidade de Oslo.

A bolsa de valores, os aeroportos e as estações de trem da capital norueguesa também suspenderam suas atividades durante a homenagem.

O ato aconteceu pouco antes de o suposto autor do ataque, o norueguês Anders Behring Brevik, 32 anos, comparecer à sua primeira audiência , que por decisão da Justiça na Noruega será fechada - sem presença do público ou da imprensa. Breivik, que assumiu ser responsável pelos ataques em Oslo e na ilha de Utoya, disse que iria "explicar" suas ações à corte.

Grupos e familiares das vítimas vinham pedindo que a imprensa boicotasse a aparição, temendo que Breivik a usasse como plataforma para propagar suas opiniões extremistas . Na noite de domingo, o advogado de Breivik, Geir Lippestad, afirmou que ele preferia uma audiência pública e queria se apresentar ao juiz vestindo um uniforme militar.

De acordo com a emissora TV2, a polícia norueguesa pedirá pelo menos oito semanas de prisão provisória para Breivik durante a audiência. O prazo máximo costuma ser de quatro semanas, mas segundo Viola Bjelland, porta-voz da polícia, as circunstâncias são "excepcionais".

De acordo com a lei norueguesa, Breivik pode ser sentenciado a um máximo de 21 anos de prisão. A sentença pode ser estendida se o prisioneiro for considerado uma ameaça à segurança pública.

Em depoimento à polícia norueguesa no fim de semana, Breivik descreveu os ataques como "horríveis, porém necessários".  Ele admitiu os crimes, mas não aceitou ser responsabilizado criminalmente pelas mortes.  "Ele acha que foi horrível cometer estes atos, mas, na cabeça dele, eles foram necessários", afirmou o advogado de defesa. "Ele queria atacar a sociedade e a estrutura da sociedade."

Breivik teria matado pelo menos 86 pessoas na sexta-feira na ilha de Utoya , próxima a Oslo, onde ocorria um encontro para a juventude do partido governista. Menos de duas horas antes, ele teria plantado uma bomba no centro político da capital , que deixou ao menos sete mortos.

Acredita-se que o suspeito tenha ligações com grupos extremistas de direita. Imagens suas portando uma arma apareceram em um vídeo anti-islâmico chamado Knights Templar 2083 divulgado no site Youtube.

Breivik diz ser um seguidor dos templários, ordem cristã medieval envolvida nas cruzadas e por vezes reverenciada por defensores da supremacia branca.

Também nesta segunda-feira, a polícia norueguesa informou que o número de mortos no ataque na ilha de Utoya pode ser menor do que o divulgado (86 vítimas fatais).

De acordo com o diretor da polícia, Oystein Maeland, o atual número se baseia em uma estimativa inicial realizada na noite de sexta-feira, mas pode mudar a partir de novas informações obtidas na investigação.

Cúmplice

Apesar de Breivik ter alegado que agiu sozinho, a polícia diz não descartar a possibilidade de que tenha havido cúmplices .

Breivik, que usava um uniforme da polícia, foi preso cerca de 90 minutos após ter começado o massacre na ilha. Segundo a polícia, ele ainda tinha muita munição quando foi rendido.

Funcionários que trataram vítimas em hospitais disseram que o atirador teria usado balas que se fragmentam dentro do corpo , causando sérios danos internos.

Uma das primeiras pessoas assassinadas teria sido um policial, contratado como segurança pelos organizadores do encontro, do qual participavam cerca de 700 pessoas, em sua maioria jovens e adolescentes.

A polícia justificou a demora a chegar ao local do ataque dizendo que foi difícil encontrar um barco apropriado para o transporte e que não havia qualquer helicóptero da polícia por perto.

Com BBC, AFP e EFE

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