Noruega faz primeiros funerais para vítimas de massacre

País faz homenagens a mortos em ataques em Oslo e na Ilha de Utoya, que completam uma semana nesta sexta-feira

iG São Paulo |

Os primeiros funerais para as vítimas do massacre da Noruega começaram a ser realizados nesta sexta-feira, uma semana depois de uma explosão a bomba em Oslo e um ataque a tiros na Ilha de Utoya. Autoridades policiais revisaram o número de mortos de 76 para 77 nesta sexta-feira, após elevar de 68 para 69 o número de mortos no massacre da ilha.

Em Nesodden, nos arredores de Oslo, amigos e familiares acompanharam o enterro de Bano Rashid, 18 anos, morta no ataque em Utoya. De origem curdo-iraquiana, ela escrevia artigos contra o racismo e a discriminação. Sua irmã caçula, que também estava na ilha, sobreviveu.

A adolescente de cabelos longos e castanhos tinha fugido do Iraque para a Noruega com sua família em 1996 acreditando que enfim estaria a salvo da violência. Politicamente engajada, ela sonhava em chegar ao Parlamento. "Bano entendia os ideais da democracia e sabia que o futuro da Noruega também dependia dela", disse o chefe da diplomacia, Jonas Gahr Stoere, em sua homenagem à jovem.

Também originário de uma minoria étnica, Ismail Haji Ahmed, de 19 anos, também teve a sua vida interrompida brutalmente por Behring Breivik. Assim como Bano, Ismail foi enterrado nesta sexta.

Em Oslo, autoridades norueguesas participam de uma cerimônia organizada pela ala jovem do Partido Trabalhista, alvo do ataque na Ilha de Utoya. Em pronunciamento, o primeiro-ministro Jen Stoltenberg chamou as vítimas de "heróis".

"Hoje faz uma semana que a Noruega foi atacada pela maldade", afirmou o premiê em um palco coberto de rosas vermelhas, símbolo do Partido Trabalhista. "Não vamos nos chocar nem nos intimidar. A coragem desses jovens é contagiosa. Vamos responder ao ódio com amor. Vamos honrar nossos heróis para sempre."

O líder da juventude trabalhista Eskil Pedersen pediu que os jovens voltem à ilha no ano que vem para sua reunião anual, uma tradição que existe há décadas.

Outra cerimônia estava sendo realizada em um mesquita em um distritro de imigrantes em Oslo. O premiê deve ir ao local para demonstrar espírito de união nacional e para combater as ideias de extrema direita do norueguês Anders Behring Breivik , que assumiu a autoria do duplo ataque e pregou uma cruzada antimuçulmana.

Interrogatório

Nesta sexta-feira também houve um novo interrogatório do extremista . Pela manhã, Breivik deixou a cadeia e foi transferido para a sede da polícia em Oslo.

Breivik foi interrogado para avaliar se há “mais algum perigo”, segundo o porta-voz da polícia Paal-Fredrik Hjort Kraby. Durante uma audiência judicial na segunda-feira, Breivik teria afirmado que havia duas células extremistas trabalhando com ele.

Apesar disso, as autoridades norueguesas acreditam que ele agiu sozinho. Segundo a chefe do serviço de inteligência doméstica da Noruega, Janne Kristiansen, não há evidências até agora de que Breivik teria ligações com outros extremistas na Noruega ou em outros países.

O acusado também deverá ser submetido nesta sexta-feira a um exame psiquiátrico, após seu advogado afirmar acreditar que seu cliente é insano.

Com BBC, AFP e AP

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