Noruega: Extremista disse que só falaria após renúncia do governo

Exigência foi feita durante interrogatório no qual Anders Behring Breivik depois se mostrou 'muito disposto a falar'

iG São Paulo |

AP
Breivik, parcialmente visível atrás, no centro, é levado para prestar depoimento à polícia em Oslo (29/07)
O extremista Anders Behring Breivik, que assumiu responsabilidade pelo massacre da Noruega, exigiu que o governo do país renunciasse e o rei Harald 5º deixasse o trono antes de revelar mais detalhes sobre o ataque, informou a agência pública de notícias NRK neste domingo.

A exigência teria sido feita durante o segundo interrogatório ao qual Breivik foi submetido, na sexta-feira. No início da sessão, que durou 10 horas, ele também teria exigido sua nomeação como novo chefe do Exército da Noruega.

Apesar de suas exigências terem sido negadas, Breivik colaborou com a polícia e respondeu ao que foi questionado durante o interrogatório. O promotor Paal-Frederik Hjort Kraby disse que o extremista parece "muito disposto a falar" sobre o ataque, a não ser por um tema específico: as "células" da organização que ele disse integrar em uma audiência judicial na segunda-feira.

Breivik está preso e isolado em um centro de detenção de segurança máxima. Nesta semana, dois psiquiatras devem começar a fazer testes para determinar sua saúde mental, cujos resultados devem ser divulgados em novembro.

No sábado, a polícia da Noruega afirmou que Breivik considerou atacar outros alvos ligados ao governo e ao Partido Trabalhista do primeiro-ministro Jens Stoltenberg.

Em interrogatório que durou cerca de dez horas na sexta-feira, Breivik perguntou quantas pessoas tinha matado nos ataques de 22 de julho e não demonstrou emoção ao ouvir a reposta.

Ele voltou a assumir responsabilidade por uma explosão que deixou oito mortos no centro de Oslo e por um ataque a tiros que deixou 69 mortos na Ilha de Utoya, onde acontecia um evento da ala jovem do Partido Trabalhista.

A polícia afirmou que o ataque foi cuidadosamente planejado e que Breivik considerou outros alvos, mas não confirmou se estes seriam o Palácio Real e a sede do Partido Trabalhista, como informou o tabloide norueguês VG.

O interrogatório de sexta-feira foi o segundo pelo qual Breivik foi submetido. Segundo a polícia, ele afirmou ter agido sozinho no dia dos ataques.

"Perguntamos a ele sobre seus movimentos nos prédios do governo antes, durante e depois (do ataque), para verificar que ele estava sozinho, como diz. Agora estamos checando as câmeras de vidro do centro de Oslo para confirmar", disse Kraby.

As autoridades norueguesas acreditam que ele agiu sozinho. Segundo a chefe do serviço de inteligência doméstica da Noruega, Janne Kristiansen, não há evidências até agora de que Breivik teria ligações com outros extremistas na Noruega ou em outros países.

Com AFP, BBC e AP

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