Noruega encerra busca por desaparecidos na Ilha de Utoya

Polícia anuncia que interrogará o extremista Anders Behring Breivik pela segunda vez nesta sexta-feira

iG São Paulo |

A polícia da Noruega afirmou nesta quinta-feira que encerrou a busca por desaparecidos na Ilha de Utoya, onde um ataque a tiros deixou 68 mortos na sexta-feira. "Posso confirmar que a busca terminou", informou Johan Fredriksen, chefe da polícia norueguesa, em coletiva de imprensa. "O número de desaparecidos é muito pequeno."

A polícia também anunciou que o extremista Anders Behring Breivik será interrogado pela segunda vez na sexta-feira. Ele assumiu o ataque na ilha e também um atentado a bomba que deixou oito mortos no centro de Oslo horas antes. ( Cronologia mostra erros da polícia enquanto extremista executava ataque na Noruega ).

Com o novo interrogatório, a polícia quer garantir que novos ataques não estão sendo planejados. Durante uma audiência judicial na segunda-feira, Breivik afirmou que existem mais duas células militantes em sua organização. A polícia investiga a declaração mas diz não ter encontrado provas de que o norueguês seja parte de um movimento.

Breivik já foi interrogado uma vez, no sábado, durante sete horas. Segundo a polícia, o extremista está em contato somente com seu advogado e com os investigadores.

A polícia afirmou também que todas as vítimas já foram identificadas e que uma nova lista de nomes será divulgada na sexta-feira. Até agora, os nomes divulgados são : Anne Lise Holter, 51 anos; Hanna M. Orvik Endresen, 61 anos; Kai Hauge, 32 anos; Kjersti Berg Sand, 26 anos; Tove Ashill Knutsen, 56 anos; Andreas Dalby Groennesby, 17 anos; Bano Abobakar Rashid, 18 anos; Bendik Rosnaes Ellingsen, 18 anos; Birgitte Smetbak, 15 anos; Diderik Aamodt Olsen, 19 anos; Eivind Hovden, 15 anos; Eva Kathinka Lutken, 17 anos; Even Flugstad Malmedal, 18 anos; Gizem Dogan, 17 anos; Gunnar Linak, 23 anos; Guro Vartdal Havoll, 18 anos; Hakon Oedegaard, 17 anos; Hanne A. Balch Fjalestad, 43 anos; Hanne Kristine Fridtun, 19 anos; Henrik Pedersen, 27 anos; Ismail Haji Ahmed, 19 anos; Johannes Buoe, 14 anos; Kevin Daae Berland, 15 anos; Lene Maria Bergum, 19 anos; Margrethe Boyum Kloven, 16 anos; Maria Maageroe Johannesen, 17 anos; Modupe Ellen Awoyemi, 15 anos; Monica Boesei, 45 anos; Rolf Christopher Johansen Perreau, 25 anos; Sharidyn Svebakk-Bohn, 14 anos; Silje Merete Fjellbu, 17 anos; Silje Stamneshagen, 18 anos; Simon Sabo, 18 anos; Snorre Haller, 30 anos; Sondre Furseth Dale, 17 anos; Sondre Kjoeren, 17 anos; Sverre Flate Bjoerkavag, 28 anos; Synne Royneland, 18 anos; Syvert Knudsen, 17 anos; Tamta Lipartelliani, 23 anos; Tore Eikeland, 21 anos; Trond Berntsen, 51 anos.

Veja imagens de algumas das vítimas identificadas:

Na quarta-feira, o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, anunciou a criação de uma " Comissão do 22 de Julho " para investigar o massacre que, no total, deixou 76 mortos.

Ele disse que a comissão, acordada por todos os partidos políticos, analisará tudo o que aconteceu no dia, incluindo a reação da polícia. A investigação foi anunciada em meio ao questionamento sobre a lentidão da polícia em responder ao segundo ataque, em que o fundamentalista cristão anti-islâmico Anders Behring Breivik pôde disparar por 90 minutos contra membros da ala juvenil do governista Partido Trabalhista.

Em uma coletiva concedida em sua casa, Stoltenberg disse que a comissão seria independente e revelaria lições a ser aprendidas. "Não é um inquérito crítico; temos muito respeito pela forma como nossas autoridades e nossas diferentes agências lideram com as operações", disse. "Mas achamos que é importante avaliar tudo o que aconteceu para aprender o máximo possível com nossas experiências."

O premiê, porém, afirmou que é muito cedo para considerar a criação de novas leis de segurança. "Agora é hora de confortar aqueles que perderam familiares e amigos e de ajudar os que ainda estão feridos", afirmou.

"Depois, principalmente após a investigação ser concluída, será o momento de rever todas as experiências, aprender com o que aconteceu e tirar conclusões quanto às medidas de segurança."

Segundo Stoltenberg, os ataques não intimidarão a Noruega, que responderá com "mais democracia".

De acordo com ele, os noruegues se defenderão mostrando que não temem a violência e sendo mais participativos politicamente. "É completamente possível ter uma sociedade aberta, democrática e inclusiva e ao mesmo tempo com medidas de segurança e sem ingenuidade", afirmou.

O premiê defendeu a liberdade de expressão mesmo que ela inclua ideias extremistas como a de Breivik, que foi indiciado por atos de terrorismo pelo massacre de sexta-feira. "É totalmente legal e legítimo ter visões ou opiniões extremistas. O que não é legítimo é tentar implementar essas visões extremistas usando a violência", afirmou.

"Acho que temos uma Noruega antes e outra Noruega depois dos ataques de 22 de julho", disse. "Mas espero e acredito que essa Noruega depois dos ataques seja uma sociedade mais aberta e tolerante do que a de antes."

Com AP, AFP e BBC

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