Noruega condena 2 por plano de ataque contra jornal por charges de Maomé

Homens presos em Oslo são considerados culpados de terrorismo por construir bomba para atacar publicação dinamarquesa

iG São Paulo |

Dois homens acusados de planejar um ataque contra um jornal da Dinamarca, após a publicação de caricaturas do profeta Maomé em 2006, foram considerados culpados de terrorismo nesta segunda-feira por uma corte da Noruega, onde foram presos.

É a primeira condenação desde que o país adotou novas leis antiterrorismo, e o primeiro caso de grande importância a ser julgado desde o massacre de julho de 2011, quando um extremista lançou um duplo ataque em Oslo e na ilha de Utoya, deixando 77 mortos.

AP
Shawan Sadek Saeed Bujak (esquerda) comparece à audiência em tribunal de Oslo, na Noruega

O juiz Oddmund Svarteberg, do tribunal distrital de Oslo, sentenciou o chinês Mikael Davud a sete anos de prisão e o curdo iraquiano Shawan Sadek Saeed Bujak a três anos e meio de prisão. Segundo Svarteberg, a corte considerou que os dois planejaram o ataque junto com a rede terrorista Al-Qaeda e trabalhavam em Oslo na construção de uma bomba.

A promotoria teve de convencer a corte de que houve conspiração porque a lei antiterrorismo norueguesa não pode ser aplicada para um único indivíduo, mesmo que ele esteja planejando ataques.

Um terceiro réu, David Jakobsen, do Usbequistão, foi absolvido das acusações de terrorismo mas condenado por ajudar os outros dois homens a conseguir explosivos.

Jakobsen, que colaborou com a polícia durante as investigações, passará quatro meses na cadeia.

Os três homens, que foram presos em julho de 2010, admitiram algumas das afirmações da promotoria, mas se declararam inocentes das acusações de conspiração e negaram laços com a Al-Qaeda.

Procuradores disseram que os réus planejavam atacar a sede do jornal Jyllands-Posten, que causou fúria em países muçulmanos em 2006 ao publicar 12 charges do profeta Maomé. Bujak admitiu que o jornal e o cartunista Kurt Westergaard eram seus alvos, mas disse que os planos se resumiam a “conversas”.

No ano passado, a Justiça dinamarquesa condenou por tentativa de assassinato e terrorismo um somali que invadiu a casa de Westergaard em janeiro de 2010. O cartunista teve a porta de sua casa, na cidade de Aarhus, arrombada por Geele. O somali estava armado com um machado e uma faca e gritou "você tem que morrer" e "você vai para o inferno", segundo depoimentos.

A charge desencadeou uma grande onda de protestos no mundo muçulmano, que considera ofensivas as representações do profeta, e, em contrapartida, desencadeou debates sobre a liberdade de expressão.

Embaixadas dinamarquesas foram atacadas por muçulmanos em várias partes do mundo, e dezenas de pessoas morreram em manifestações. Westergaard passou a viver sob proteção policial.

Com AP e BBC

    Leia tudo sobre: noruegadinamarcamaoméchargesmuçulmanosnoruega sob ataqueterrorismo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG